Reciprocidade é questão de escolha. Eu falo, o Andrey fala, a torcida do Vasco fala. Mas e aí? Por que é tão difícil assim?
Escolher. Aí. Dor no peito, na alma. Dói a cabeça, batem os carros na rua, quebra o vidro. Olha o mosquito, lembra da prova. Toca aquela música. Você canta, o vizinho canta. O cachorro late, seu irmão te chama. Passa o comercial, começa o jogo. Toca o celular, vai na cozinha, sai de casa. TUDO ISSO? Distração.
Passa o tempo, correm os dias. E toda a vez que você resolve escolher, essas cenas aí de cima se repetem. Passam na sua cabeça ao mesmo tempo. Te desviam o foco, te levam a pensar outras coisas. E você deixa. Você permite que os fatos te inundem e façam esquecer que se tem que escolher. Você se deixa manipular por você mesmo. E o pior? Você, como eu, sabe disso.
Então você encontra aquele amigo ou aquela amiga que sabe tudo de você. Só de olhar nos olhos dela já sabe que vem aquela pergunta fatídica: “E aí?”. Aí? Aí pronto. Você se debulha em lágrimas, ou começa uma verborragia infinita de desculpas esfarrapadas que nem o seu cachorro acredita. O que é isso? É seu amigo perguntando de como vai a sua vida. Como anda o coração. Como anda a casa. É quando ele, que te conhece, pergunta se você já tomou sua decisão. E você não fez. E não fez por que? Me diz! Por isso mesmo. Medo.
Escolher dói. Decidir dói mais ainda. E o tempo correndo agrava.
Voltamos a reciprocidade. É questão de escolha. Simples assim? Não, claro que não. Por que você vai querer o simples? Por que você vai escolher ser feliz? Por que somos tão inconstantes? Por que somos tão indecisos? Por que queremos a felicidade, mas quando ela chega damos as costas? EU NÃO SEI RESPONDER.
Quer reciprocidade? ESCOLHA ISSO.
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terça-feira, 6 de julho de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Sobram tantos medos que nem me protejo mais*
*“Sobram tantas meias-verdades que guardo pra mim mesmo. Sobram tantos medos, que nem me protejo mais. Sobra tanto espaço dentro do abraço.(...) Sei lá se o que me deu foi dado, sei lá se o que me deu já é meu, sei lá se o que me deu foi dado ou se é seu.” (Teatro Mágico – Sobra tanta falta)Sempre fui muito, mas muito, ansiosa. Isso não mudou com o tempo. Por mais que eu tenha noção de como isso atrapalha, de como é ruim, eu não consigo mudar radicalmente a ponto de isso não existir mais em mim.
Eu sofro por ansiedade. Esse é o maior problema. Sempre sofri. Desde quando meu maior problema era fazer um exame de sangue. Por ele, não dormia. Remexia, não pregava o olho. Chegava destruída ao laboratório, não só por não ter dormido, mas pelos choros calados que me acompanhavam até lá. Não fugia, encarava meu “monstro”. E saia do laboratório com o rosto seco. Magoada pelo “por que me trouxeram”, mas sem sofrer nada pelo exame em si. E ai, já tinha perdido uma noite de sono, já tinha gasto lágrimas, já tinha ficado mal. Por ansiedade.
O tempo passa, mas essa característica ainda é bem minha. Quem me conheceu na época de vestibular sabe que não fui diferente. Estudos de madrugada, por ansiedade. Sem dormir e comer antes da prova, por ansiedade. Mudanças drásticas de humor, por ansiedade. Choros calados, por ansiedade.Quem me conhece um pouquinho mais, sabe de todas as viagens que minha cabeça faz, por ansiedade. Todos os pensamentos, no mínimo, bizarros que eu tenho.
Ansiedade nada mais é do que um nervoso do futuro. Medo do que pode te acontecer de bom e de ruim. Eu caracterizo assim. E assumo que sou ansiosa mesmo, em todos os aspectos.
Minha cabeça está em mais um momento de ansiedade e apreensão bizarro. Confusa até onde posso imaginar, e ansiosa por um final. Feliz, ou não.
“Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?”
(Legião Urbana - Será)
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