sábado, 12 de dezembro de 2009

Deixa ser, como será quando a gente se encontrar?

Eles foram jogar um jogo. Ele preparou tudo, limpou a casa, arrumou os móveis, pegou o tabuleiro, escolheu as pecinhas, pegou o dado. Ela chegou. Olhou tudo arrumado. Desconfiou do jogo, do dado, da arrumação. Resistiu. Disse que não jogaria. Foi embora. Mas ficou pensando no tabuleiro, no desafio. Ela voltou atrás e disse que agora queria. Ele disse. Não agora não quero mais. Mas poxa, já ta tudo preparado, ela disse. Pois é. Ela começou a mexer as pecinhas. Sozinha. Ele viu a cena. A vontade explodiu. Começou a jogar. Só que ele tinha armado tudo pra vencer. Como não foi bem ele que começou a jogar, ele não ficou satisfeito em ganhar. Ele quis ganhar de muito. Não deu chance pra ela. Foi deixando-a para trás em cada movimento. Fim do jogo. Ela foi embora cabisbaixa. Ele ficou em casa, pensando estava feliz. Mas...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O que te dói?

Marcas feitas a fogo. Inesquecíveis lembranças. Cicatrizes. Dores pungentes. Apreciadas como pinturas rupestres, com a diferença da certeza do que se passou. Aquilo que não será esquecido, no máximo enganado. E mesmo assim com muito esforço. Dor latente. Nomes gravados em brasa, feito tatuagem. Marcas daquilo que foi bom. Marcas daquilo que simplesmente marcou. Marcas que passarão pelo crivo do tempo. Impreterivelmente. Marcas preferidas. Marcas que doem. Marcas que acalentam. Marcas que afugentam. Marcas da história. Marcas da experiência. Um gosto, um desejo, uma ilusão. Nomes novos. Fogo novo. Coração velho. Marcas tuas. Marcas minhas. Marcas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Uma noite qualquer de verão

http://agravodeinstrumento.blogspot.com/2009/12/uma-noite-qualquer-de-verao.html


Está dificil postar por aqui. Porém, como prometido, após dia 14 tem coisas legais.


Enquanto isso, divirtam-se com a blogagem coletiva:

Postagem coletiva do amigos:

www.pe-da-cos.blogspot.com Pamela Marques
www.bonequinhadeseda.blogspot.com Maria Fernanda
http://agravodeinstrumento.blogspot.com Andrey Brugger
http://dezessetepoucosanos.blogspot.com Natália Corrêa

sábado, 5 de dezembro de 2009

Uma questão de princípios.

“Pra que
Te espero de braços abertos
Se você caminha pra nunca chegar
Então vou no fundo
Ameaço ir embora
Você diz que prefere quem sabe ficar

Eu queria tanto
Mudar sua vida
Mas você não sabe se vai ou se fica
Eu tenho coragem
Já to de saída
Você diz que é pouco
E pouco pra mim não é bobagem”*

Sabe qual o pior ponto da indecisão? É a sensação que causa no outro. Se as nossas incertezas se prendessem em nós, seria até mais fácil porque não pensaríamos, ou não precisaríamos pensar, nas conseqüências a outrem que os nossos atos ou escolhas levam.

É por isso que eu defendo o principio do non liquet nos relacionamentos. O principio citado, no Direito, significa que o juiz não tem a opção de não julgar, porque não tem leis, por exemplo. Ele teria que buscar novas fontes, jurisprudências, interpretações, para chegar na solução do caso. Ele tem que chegar nessa resposta.

Imagine que benção um relacionamento com o non liquet atuante. Ela e ele seriam obrigados, ambos, de dar uma resposta para cada conflito que surgisse. Todas as incertezas seriam sanadas, todas as opiniões dadas. Seria mais do que a sinceridade em ação, seria uma exteriorização de tudo o que somos.

Se não soubéssemos da resposta no nosso eu, a gente buscaria jurisprudência na experiência de vida, buscaríamos novas interpretações daquilo que realmente sentimos e, incrivelmente, chegaríamos a uma solução. Teríamos que chegar.

Talvez seja viagem demais da minha cabeça, mas é apenas mais uma tentativa de pedir a harmonia das ações.


*eu não gosto do refrão dessa música, mas esses primeiros versos caíram bem.

Do Nilismo..


Nilismo é aquela corrente filósofica em que o Homem acredita que não há "nada além". E se não há nada além, fica sempre aquela vontade-esperança de olhar o que passou.

Daí vem a espera por você na janela ou a descoberta da mania que aquela minha amiga tem de olhar as fotos ulteriores na contra-capa do caderno.

Não adianta, "não é que eu queira reviver nenhum passado, nem revirar os sentimentos revirados", mas é que quando a tempestade se aproxima no alto-mar, a gente quer mais o porto com dois barcos lado a lado.

Desculpas, minha amiga, por ter falado "fim de carreira". Hoje, eu acho que percebo que é mais um 'ainda é possível encontrar algo assim ou melhor, novamente!".

Mea Culpa num dia chuvoso de desculpas e pensamento de O QUE É QUE EU ESTOU FAZENDO AQUI? Apontar pra fé e remar não tem dado jeito, não com esse cansaço de fim de período, de ano, de saco!

A pergunta é feita, com aquela vã esperança de obter a resposta satisfatória. Sempre tem um motivo, uma luz fraca, quase invisível, que a sensação te traz de volta à busca pelo por vir. Não faz sentido, eu sei. E se nada faz sentido, há muito o que fazer!



ELA - Campo ou bosque ou deserto, qualquer coisa assim, compreende? O importante é que seja ao ar livre. Colabora, imagina. É só um teste.
EU - Um deserto, então.
ELA - Sem nada?
EU - Nada.
ELA - Mas nem uma palmeira?
EU - Nenhuma.
ELA - Um rio, qualquer coisa?
EU - Nada. Só areia.
ELA - E árvores?
EU - Nada.
ELA - Bichos?
EU - Nada.
ELA - Vento?
EU - Nada.
ELA - Água?
EU - Nada.
ELA - E a chave?
EU - Não encontro chave.
ELA - E o muro?
EU - Muro tem.
ELA - E como é o muro?
EU - Antigo, feio, todo descascado, tijolos aparecendo, um pouco de limo, enorme.
ELA - Você sobe?
EU - Tento subir. Várias vezes. Mas caio, arranho os pulsos, sai sangue. Dói muito. Sempre tento subir, sempre caio outra vez. Mas sei que um dia eu consigo.
ELA - E depois?
EU - Depois o quê?
ELA - Depois do muro, o que tem?
EU - Nada.
ELA - Nada?
EU - Absolutamente nada.
ELA - E você o que faz, no nada?
EU - Não sei, me desintegro, acho.
ELA - E não dói?
EU - Não. Não dói.
(silêncio)
ELA - Você já tentou suicídio alguma vez?
EU - Três, por quê?
ELA - O muro que você tenta subir. O muro é a morte.
EU - Ah.
(silêncio)
ELA - Você agora vai-me achar piegas, mas deixa eu perguntar.
EU - Pergunte.
ELA - Você não acredita em amor?
EU - Acho que não. Como é que você sabe?
ELA - Não existe água. A água é o amor.
EU - Ah. Que mais?
ELA - Nada.
EU - Nada?
ELA - É. Nada. Você não acredita em nada. Acha tudo estéril. Vazio. Seco. Um deserto. Nem problemas você tem.
EU - Problemas?
ELA - É. Os bichos.
EU - Ah.
ELA - Nem ideais. Com o perdão da palavra.
EU - Ideais?
ELA - É. As árvores.
EU - E daí?
ELA - Daí, nada.
(silêncio)
EU - Pronto: mergulhou no silêncio ocêanico.
(silêncio)
ELA - Você não passa dum niilista. O diaboé que eu gosto de você paca.

O Caio F. dando a razão, novamente!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Um tempo dos estudos. Para estudar a questão...


Tempo. Será que, mana velha, falta mesmo um tempinho para você correr macia e mansinha? É certo que esse era o momento de ser forte. Afinal, lembra daquela vez que eu fui "preterido" por motivos do coração? Então, o jogo virou. A tua escolha não faz a mínima questão de escolher estar ao seu lado. Contudo, te ver daquele jeito faz o meu coração apertar e aí..vem o que se segue.

O jogo vira. Porém, me falta a mesma coragem da tua escolha. Qual seja a de traçar o paradoxo: não te escolher. Mas eu, bicho bobo que sou e não nego, corro atrás daquilo que tu precisa, negando ao máximo correr atrás de você. Numa frieza traçada pela melhor doutrina ROBSiana, conjugo, para ti, o verbo tentar e não o conseguir. Embora, eu sempre consiga. 

Lógico que temo a consequência mais lógica: acabando a tormenta, você desembarca no porto e vai relaxar. Eu vou consertar o que restou do barco, levar as tuas malas, as minhas e seguirei no meu período de férias.

Talvez eu fique com aquela sensação de: Eu já sabia! Mas, acredito que um dia você também vai saber; saberá que houve alguém, alguém que esteve LÁ por você!

Agora, voltemos ao Direito do Trabalho.

The Magic Numbers – I see you, you see me

[Eu nunca pensei que você queria que eu ficasse
Então eu deixei você com as garotas que vieram com você
Mas, querida, quando eu a vejo, eu me vejo
Eu pensei muitas vezes que você ficaria melhor sozinha]

domingo, 29 de novembro de 2009

"Mas você chegou, já era dia"

Eu nunca fui de desistir. Já afirmei inúmeras vezes o meu gosto por desafios, minhas vontades loucas de transformar as pessoas, de conquistar. Mas sabe, tá cansando... ainda mais quando são duas pessoas que são grandinhas o suficiente para não precisar usar dos artifícios metafóricos. Eu gosto de entrelinhas. Gosto do “hermético” da coisa. Mas tem horas que eu queria tanto a facilidade de ouvir o simples. Enfeitar é legal, é bonito, é uma boa forma de conquista. Mas quando faz sentido. Cada hora é uma coisa. Hora é sim, hora é não, tantas horas o bendito talvez.

Sabe o que acontece numa situação dessas? A gente se apega nos “sim”, nos “talvez”, manda o coração ignorar os “não”, arranja uma desculpa pra eles e a gente sonha. Sonha sim, acordada ou não. Sonha de verdade, sonha falando, sonha sonhando.

A gente conversa com os amigos querendo saber opiniões, querendo ajudas indiretas, querendo simplesmente contar. Nem sempre é isso que a gente encontra. Tudo bem, fazer o que. A gente insiste, pensa, lembra dos momentos bons, lembra de tudo. Mas acaba faltando a certeza no brilho dos olhos.