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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Certos detalhes ou Outras Perguntas

Cadê aquele pênalti que não deram pra gente no 1º tempo?* Seria um gol de vantagem indo para o túnel, no intervalo, a palestra seria diferente, a intenção da prosa seria de manter o bom trabalho e o resultado. O pênalti não marcado, a falta de concentração para colocar a bola para dentro da baliza, tudo isso faz com que o trabalho duro até ali tenha que ser intensificado. Há pernas? 

Nada garante, por outro lado, que o pênalti marcado seria convertido em gol. "Tentender se eu disser que tive nas mãos a bola do jogo" ou nos pés, certos detalhes. Acertaria o canto? O goleiro pegaria? Seria campeão de interperíodos? Não sou craque. Nem sei se uma possível vitória seria tão merecida.

Não fazer contas com a vida de alguém. Aquele júri que não acontecerá porque mês passado cliente completou 70 anos, prescrição cai pela metade, opa...deu prescrição. Não vai a júri. Certos detalhes.

Cadê aquela oportunidade de falar não dada? Foi dada? Perdi? Deveria ter entregue palavras e coração na causa da vida? Era a causa da vida? Morreu? Definitivo ou transitório? Preclusão? Transitou em julgado? Cabe recurso? A carta de "x" páginas entregue no segundo anterior dos segundos eternizados.

Fotografias eternizando o brilho que eu pensei ser imaginário. Não era, o brilho no olhar nem foi culpa exclusiva dos flashes. Ponto para a pequena ousadia. Certos datalhes.

Guardo para entregar outras cartas que eu não mando. Deveria? Regar girassóis é complexo, valerá a pena(?) 
É caminho sem volta ou há o retorno logo ali para quem tem olhos de ver? Retornar ao ponto de partida é ter medo de seguir adiante? Quanto vale o orgulho de bradar uma nova vida?

Cadê o pênalti que não marcaram para a gente no primeiro tempo? A carta ainda está na gaveta (na minha ou na sua)?  Deu prescrição? Quanto vale o serviço? Tem preço a dignidade? É uma questão de princípio? Opinião do grande autor ou opinião pública?

O dicionário comandando corações e mentes? Infantilizaram o pensamento? O sentimento vai dançar? Até que a morte os separe? Definitivo ou transitório até o próximo ponto?

Cadê aquele regador que estava aqui? Cadê a pergunta feita imediatamente anterior à resposta alternativa? Deveria abrir prazo para terceiros embargarem?
Cadê o pênalti?
Certos detalhes, ainda vem mais perguntas.

*Cadê o Pênalti? - Skank

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Todo carnaval tem seu fim! Mas recomeça...



Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa.
Ou não diga nada, mas chegue mais perto.
Não seja idiota, não deixe isso se perder,
virar poeira, virar nada...

O Pierrot apaixonado, ainda, chora pelo amor da Colombina. Chora menos, agora. Afinal, os anos se passaram. Como tudo passa, inclusive aquele desmanche de mundo. Contudo, romântico que é, Pierrot lembra, relembra, se pergunta por quê não deu certo? Não encontra respostas.

Certamente o não achar a resposta é o que fica da dor. Ele pensa naqueles beijos em poucos carnavais ao longo da vida. Carnavais que são dias daquele período que trazem uma alegria e uma fé enorme para se suportar o resto do ano. Da vida.

Pierrot ainda encontra a irmã da Colombina. A irmã diz que Colombina não consegue se firmar com nenhum homem de bem (nem de mal), aquele velho medo de compromisso, tipico das figuras que acreditam em carnavais (momentos pontuais de beijos na boca, os antigos JF FOLIA da época e choppadas afins), não a deixa encontrar um bem-me-quer. Pierrot fica triste, mas logo pensa: Ela quem jogou tanta vida fora.

Pierrot ainda pensa em Colombina. Encontrou algumas belas mulheres da Corte durante a vida. Esteve com elas por muitas noites. Mas sempre pensava: não confudiremos sexo com convívio social. Não confundiremos boa leitura e boa conversa com amor. Não confundiremos a mulher para a vida com a mulher da vida. 

Pierrot encontra seus amigos para beber na esquina, não para se matar, enfim. Encontra os outros amigos Pierrots que encontraram, muitos deles, suas Colombinas mais evoluídas. Sim, existem as Colombinas que valem a formação do bloco, que transformam a vida em carnaval e que se for preciso, por eles, faz a quarta-feira de cinzas ser o dia da concentração dos blocos, prepara a avenida para eles passarem.


A Colombina daquele primeiro Pierrot? A Colombina também envelheceu. Ela está pelo mundo, conhecendo lugares novos e vivendo outras histórias de amor. Ela também se lembra do beijo do Pierrot. E imagina o que aquele palhaço (no bom sentido vide sua roupa, claro), fez da sua vida. Ela ainda está sambando nos carnavais da vida, mas já pensa na hora em que se preocupará com o que fazer com os outros 361 dias do ano e as consequências para a vida que resta. Já que todo carnaval tem seu fim.

E o Arlequim hein? Ah, o Arlequim não mudou nada. Está lá no meio da fanfarra, soprando uma cornetinha, puxando o trenzinho. Partindo o coração de outras Colombinas, enchendo de raiva outros Pierrots. Ele está esfuziante. Pelo menos até a 4ª Feira de cinzas, quando as luzes serão apagadas, os metais e tambores guardados, os confetes varridos do chão. E aí, mais uma vez, ele será o mais triste dos três.

 Quanto a esse Pierrot, também não quer saber de mal-me-quer. Por isso, tenta olhar para o lado e vê uma boneca de pano. Não tem a pompa da Colombina no salão, mas aquele sorriso doce, aquele ombro amigo, aquela boa companhia, aquela parceria. Não sabe ao certo se pode vir a ser "amor" nos moldes históricos dos sambas e blocos carnavalescos. Mas pode ser a mulher para a vida.

Pierrot e Boneca de Pano do Teatro Mágico da Vida? Ora, por quê não??! Afinal, tem horas que a gente se pergunta: - por quê é que não se junta tudo numa coisa só?



"Deixa ser, o que há de ser vigora"