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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Harmonise

Tudo começou com sacrifício. Abandonei meu querido bar da fábrica para subir o morro rumo à por mim detestada Privilège. Era aniversário daquela que viria, mais tarde, a ser responsável por grande parte do meu aniversário desse ano ter sido tão mágico. O objetivo àquela época era, confesso sinceramente, mais uma aposta de fichas em "última chance" com outra cidadã que por lá estava, apriorístico dizer que a comemoração era pretexto.
A comemoração acabou sendo pré-texto para essas linhas de agora. Eu cheguei, encontrei-a e quis duvidar. Afinal, aquele sorriso aberto logo no nosso primeiro encontro e uma sinceridade inquestionável no "Andrey, que BOM que você veio". Foi senha para eu ficar à vontade e nos dias seguintes ser criada uma relação de cumplicidade. Hoje, eu digo: estranho seria se eu não me encantasse por ela.

"Eu estava acorrentado a um pretérito imperfeito e de algum jeito improvável, você me trouxe à superfície pra que eu voltasse a pulsar.". Ela recuperou minha fé em ações, atitudes, pensamentos e autoconfiança que eu por vezes chego a abandonar. Alguns desses tópicos foram mesmo abandonados temporariamente e ela trouxe a tona. Jogou meu maldizer na lona e tem feito valer a pena. Ela mostra que relacionamentos podem ser levados a sério, independente de tempo. E que inconformismo é vital para a renovação de possibilidades. Ela me faz pensar. Em mim, nela, na humanidade, política, direito ou qualquer outro assunto que surja no encadeamento do diálogo. Uma lembrança puxando a outra e quando ver são 4h da manhã de outro dia. E o "boa noite" vem para coroar, vício de toda noite e virtude para bom sono.

Harmonise para o trocadilho fazer sentido. Ela "é o triunfo da minha esperança sobre minha experiência". Além dos motivos expostos anteriormente, junta princípios, inteligência, bom-humor e beleza. É leve, faz ficar leve, mesmo sendo "mandona". Delicadamente desbocada. Sutilmente intransigente, persuasiva. Um doce até no mau-humor. Como o som que ouço são as gírias de seu vocabulário: super curto loucamente.

A vida tem sido mais fácil, quando eu penso na palavra: harmonise. A grafia é errada, mas o sentido é perfeito. São os olhos fechadinhos quando sorri e ótima companhia para sambar. É alguém que eu conto, no meu filtro seletivo do Caio F.

"De onde vem o sentimento de que a sua história, absolutamente nova, é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas, apenas recordo trechos que esqueci". É estranho, mas realmente já me sinto como um amigo de outras vidas.O Ritmo rola fácil.  É Encantamento piegas-juvenil mesmo. Puro. Um querer estar ao lado, que seja assim, sempre.

Leonina. Guerreira. Que faz um escorpião abaixar a cauda com o veneno, não por medo, por respeito. Por deferência. Se fosse samba, "é brilho demais para um só olhar". Se fosse rock, rural. Sá.Rodrix.Guarabyra. Se MPB, Vinícius e Amor de Índio.

"Admiro sua força para engolir lágrima por lágrima como se essa cena não fosse interferir eternamente em cada prefácio de amor futuro.". E toda a teoria, não poderia deixar, discutida sobre isso. A prece é para que continue assim: novidade com gosto de já saber de outras vidas, eterno com gosto de renovação diária.

"No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Minha namorada imaginária


Minha namorada imaginária não imagina que a sei tão perto e concreta; ou talvez saiba, porque minha namorada imaginária é intuitiva. Ela possui aquele sexto sentido de adivinhar o que preciso do primeiro ao sétimo dia da semana, durante os doze meses dos anos que emolduram nossas vidas.

Minha namorada imaginária mede menos que meu um metro e setenta e quatro, mas seu coração é um paradoxo: nesse pequeno corpo faz caber sentimentos maiores que dois ou três universos, um infinito de amor; sorte a minha. Ela possui a tonalidade de cabelos que ela imaginar, entretanto o mais importante são as idéias que proliferam no compartimento interior. Somos capazes de passar a sexta, o sábado, o domingo e adentrar a semana falando sobre tudo: política, cinema, demais artes, os vizinhos, a fofoca da tia, a tese da minha futura monografia, os anseios profissionais dela.

Minha namorada imaginária é alguém que me acompanhará nas compras do mês e sempre faz piada com a minha falta de tino para a organização da quantidade de compras; afinal método, ela tem. Além de rir jocosamente quando não consigo abotoar a manga da minha camisa.

Minha namorada imaginária é espirita, eu católico. Ambos respeitamos e gostamos de tentar compreender as demais religiões. Ouvimos de Chico Buarque a Los Hermanos, princiapalmente estes. Lemos Neruda e dedicamos frases de Quintana no domingo pela manhã.

Minha namorada imaginária é adorada pela sogra, meu sogro, ainda acho que consigo conquistar. Minha namorada imaginária veio há alguns anos, quando a chamei para compor a roda da família brugger - será que ela lembra? Os caminhos sempre nos levam ao ponto almejado. Minha namorada imaginária me reconheceu de pronto e permitiu que eu a conhecesse aos poucos.

Minha namorada imaginária é de fazer parar o trânsito, principalmente quando atravessa as ruas de forma desatenta, mania que vem tentando deixar de lado pelo bem de nossas vidas. Por outro lado, é uma motorista (im)prudente e demonstra perícia (dirige melhor que Eu. Não conte para ela).

Minha namorada imaginária não imagina que estou escrevendo sobre ela; ou talvez imagine, lembra-se da intuição dela? Minha namorada imaginária é linda, beleza de dentro para fora. Minha namorada imaginária conhece meus anseios. Minha namorada imaginária tem um sorriso capaz de parar uma guerra. Um cheirinho de me fazer dormir em seus braços. O jeito de me fazer sempre não parar de imaginar quando estarei, realmente, ao seu lado.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Apostar...

Mais um desses textos que eu queria que fossem meus.
As frases são dele : http://justwrappedupinbooks.wordpress.com/


Não sei quem aqui já jogou pôquer comigo, mas eu sou do tipo que aposta baixo para poder apostar sempre. Se a mão é ruim eu saio do jogo antes mesmo da primeira rodada de apostas, se a mão é boa eu espero um pouco pra ver no que vai dar e corro assim que começa a complicar, e se a mão é muito boa (de full house pra cima), eu até fico meio folgadinho, mas nada que me faça apostar alto. Na verdade, eu sou tão de apostar baixo que desconfio que mesmo com um Royal eu ainda ia ficar meio receoso, ia pensar duas vezes e ia ter gente que ia achar que nem uma trinca eu tenho.
E eu admito que com as pessoas eu penso do mesmo jeito. Espero pouco, confio pouco, coloco poucas fichas no jogo, corro assim que a mesa fica muito alta e tento esperar pra poder jogar depois. É um tipo de reação normal, ainda mais que com as pessoas, assim como com o pôquer, tudo que você pode fazer é olhar pro que você tem em mãos, tentar calcular as reações e apostar de acordo com o quanto que você acha que pode ganhar. E claro, com o quanto que você está disposto a perder. É confiar no seu jogo, prever o jogo das pessoas e fazer as apostas.
Mas acaba acontecendo um problema com o hábito de apostar baixo. Ele funciona em boa parte das situações, garantindo perdas baixas, ainda que ganhos não muito altos. Mas chega num ponto em que pra ganhar alto você tem que apostar alto, você precisa cobrir as apostas das outras pessoas na mesa, lançar todas as suas fichas, ainda que correndo o risco de perder tudo e ficar fora da mesa já no começo da noite, enquanto todo mundo bebe cerveja e ri da sua cara.
Mais estranho ainda é quando você nota que, depois de um bom tempo, saiu com uma mão boa, um daqueles straights legais, que te fazem ter que se conter pra não dar muito na vista, um daqueles que fazem até ser complicado blefar, de tão feliz que você fica. Claro, um straight não é um royal, então sempre se pode perder, mas é uma daquelas situações em que parece que sim, dá pra apostar tudo, encher a mesa de fichinhas e esperar a cara de tacho de todo mundo quando você ganhar. É uma hora em que não faz sentido apostar baixo, com tudo que dá pra ganhar.
E bem, eu vou apostar. Não dá pra saber o resultado, talvez eu ganhe muito alto, talvez eu apenas saia empatado (não duvidem, isso acontece em pôquer) ou talvez eu perca feio e tenha que passar um bom tempo longe da mesa, mas acho que tudo bem, nessa altura. Só vai dar pra descobrir apostando mesmo.


Quanto a mim: Cair, levantar. Tentar, perder, ganhar, empatar. TEnho perdido mais que ganhado, porém licença poética: eu sei que a vida devia ser melhor (e será)! E tá bonita! ;D . Andrey S. Brugger