sexta-feira, 18 de junho de 2010

Não vem agora com essas insinuações..

Ah, vamos já parando com isso! Não vem agora com essas insinuações dos seus defeitos, algum medo normal ou acreditar que a relação está prosseguindo muito rápido. Sério, pode me pedir qualquer coisa, menos a tal da "calma". Definitivamente, a professora não me ensinou o que era isso na tenra idade.

Olha, eu acho uma balela esse troço de 'tempo certo"; oportunidade você faz. Tempo, a gente nunca tem. Porque, vamos lá, pense comigo: qual é a diferença entre um esforço atual para o mesmo esforço futuro? Se a situação não for a espera de uma resposta, não tem justificativa. E se essa for a situação, a da espera por resposta, só avisar que eu estou indo embora. 

Já falei: vamos parando. Começo a ter mais que crença, começo a ter certeza sobre eu ter cara de "amigo" ou de palhaço. Ou de um palhaço amigo. Porém, como diz o Raul Seixas: "estou mais bonito (tenho carro agora! haha) , porém mais perigoso. Aprendi a ficar quieto e começar tudo de novo". Isso é nada obstante, porque dentre todas as outras, você apareceu como um fogo na noite fria para aquecer um processo de congelamento interno. Hoje, eu posso ter noites sem importância, mas prefiro o dia ou as voltas na madrugada com uma boa conversa, vinho, beijos e tudo o que houve.

Tudo bem, agora você me pegou...se é para ter isso novamente, eu vou aprender o que é a tal da calma. Proponho um trato nesse vínculo: você esquece o "c" e tenha alma, está tranquilo?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Era uma vez... ou não?

Os filmes, os contos de fadas, tudo nos ditam finais felizes. Para ser feliz preciso desejar o final?

***

Nunca tive vocação pra Amélia, para os estereótipos femininos. Não mesmo. E isso nunca me incomodou. Mas ao mesmo tempo, não gosto de homem fraco (e não estou falando aqui de fraco ou forte fisicamente). Não gosto de homem sem opinião, sem determinação. É disso que eu falo.

Eu planejo meu futuro. Quando deitada na cama, ou em meio a aulas sem sentido, rabisco meus pensamentos ou as folhas do caderno com coisas como o futuro. Normal. Neste futuro, em nenhum momento me vi presa dentro de casa. Tenho a certeza de querer sair para ir trabalhar, de ir buscar a minha felicidade exercendo – espero que essa seja realmente a minha certeza - o Direito. Reafirmo, não tenho problemas com isso.

Mas me falaram que isso assusta os homens, que eu devia ser mais mulherzinha. Mais mulherzinha. Maldito estereótipo. Por que sou menos mulherzinha ao gostar de futebol? Por que sou menos mulherzinha ao querer ter minha autonomia? Por que ainda valorizam as princesas intocáveis, ou as gatas borralheiras? Sem sentido pra mim.

Nem tudo são flores, porém. Há ainda algo que nem eu consigo tirar de mim. Os ditos “finais felizes”. Por que, nos dias de hoje, ainda sonhamos com o “príncipe no cavalo branco” (nem vem com a piadinha do volvo prata), com o rapaz valente que nos tirará do alto da torre, que lutará contra dragões, enfrentará perigos para nos conquistar, pobres donzelas? Racionalmente digo: não estou, não me sinto nem quero me sentir ou estar presa dentro de uma torre. Tampouco quero um príncipe no cavalo branco passando pela Av. Independência. Nisso tudo, quero um homem que não se assuste com o meu jeito de não querer tudo isso. Mas emocionalmente digo: maldito “felizes para sempre”.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Falha. Falha minha. Falha nossa.

“Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária” – Clarice Lispector

Sim, “terei toda a aparência de quem falhou”. Assumo isso, mas “só eu saberei se foi a falha necessária”.

Para todo ponto final um parágrafo novo. Acontece que eu insisto num estilo Saramago de fazer parágrafos de páginas inteiras, de estender cada diálogo num meio de compreensão próprio que se arrasta sobre páginas sem nenhuma pontuação que permita a pausa breve para respirar. Intensidade.

Chata as vezes. Teimosa. Insisto até perder o sentido de insistir. Insisto pelo prazer da dificuldade. Insisto pelo sentimento. Mas até este ultimo falha. E eu falhei não uma, nem duas, mas três, quatro, cinco, muitas vezes. Mas só cabe a mim saber se foi ou não necessário. E até então, posso afirmar: Pra todo erro, muitos acertos. De tudo se tem um lado bom, uma parte boa, uma lembrança positiva. Seja de uma conversa única, um sorriso mais franco, um beijo, um momento. Efêmeros.

“E pra minha poesia é o ponto final. É o ponto em que recomeço.*” Oportunidades que surgem, sentimentos que despertam, desejos que se espraiam. Ciclo. Tempo que corre, que passa, que foge.

Aproxima-se o momento em que o pingo de tinta cairá. O parágrafo, que parecia infindo, mostrará que era apenas grande. E eu,”terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária”.






*O Teatro Mágico – Bailarina e o Soldado de Chumbo

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tive, sim!

Nesse fim de semana, me preparando para o sábado à noite, acabei por assistir um pouco ao filme "Closer-Perto Demais". Nele, a personagem Alice fala que Dan, ex-namorado dela, que a traíra, teve o momento de resistir à consumação do fato. Ela diz: "Dan, todos temos, na vida, aquele momento em que podemos escolher entre resistir ou nos entregar. Eu não sei qual foi o momento, mas você com certeza teve o seu".

Isso bateu fundo. Porque eu estou olhando para uma foto nossa e estou agradecendo demais por não ter resistido a você. Daqui uns dias faz três anos de recomeço; difícil recomeço. E se a vida não anda naquela calma de 2004 a 2007, pelo menos segue com paz interior e uma batalha digna de sobrevivência diária. Prefiro Toddy ao Tédio, dizia o Cazuza; eu prefiro dirigir tranquilo na madrugada do que ficar no telefone mentindo para mim que "vou esperar quanto tempo for". Não esperei. 

Minha mentalidade Cristã me condenou na época, mas poxa...que bom que não resisti. Que bom que indo para a cena do 'crime", aquele ônibus parou no cruzamento entre a Rio Branco com a Independência e eu não resisti. Eu fui em frente. Falei em dirigir pela madrugada. Nessa madruga de sábado-para-domingo, tocou no rádio do carro "Amor Grand´Hotel" do Kid Abelha:  "se a gente não tivesse dito tanta coisa, se a gente não tivesse exagerado a dose, poderíamos ter vido um grande amor". Essa é a questão para a vida.

Tive, sim o momento de resistir, mas não o fiz. Por profissão, vício ou falta de caráter, será? Desejo de libertação. Olhar novo sobre fato acontecido. Revisão criminal e agora rasgo a sentença, abolitio criminis. Absolvição própria de quem não vangloria o erro, não teve erro. Houve aqui legitima defesa indireta, por critérios de proporcionalidade: a única forma do entrave resolver. Solver.
Tive o momento e fui em frente. Hoje, só fica boa lembrança do bom beijo. O resto é vida (sei que te irrita).

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Abaçaiado, é assim que eu tô.

Já faz um tempo que escrever para você não tem graça. Não sei se é porque os meus olhos perderam o brilho ao te olhar, e por isso te enxergo melhor. Talvez. Me disseram que perdi um pouco o encantamento ao te ver, mas ganhei ao enxergar outras coisas.

Já faz um tempo que você não é mais o motivo que me incentiva a escrever, sonhar e viver. Não é que eu tenha parado de desejar isso, eu simplesmente o desejo por outros motivos. Será que isso é crescer? Deve ser… Os motivos não estão mais me interessando.

Todo o passado se mostrou realmente um exagero, mas que foi verdade quando eu dizia. Hoje vejo o quanto era irreal. Sabe, quando eu dizia para você antes de dormir que eu estaria pensando em você? Que sonharia com você? Bem, hoje não posso mais dizer isso. Não é mais verdade. Desculpa se isso te dói, de verdade.

Para que te falar isso? Não sei. Bom, saiba que eu continuo gostando de você. Mas minha vida passou a independer da sua. Não me pergunte como, mas agradeça a essa autonomia que eu redescobri. Sua liberdade advém dela.

Talvez seja mais fácil assim, para nós dois. Perceba o tanto de palavras incertas. É que na verdade ando assim. No escuro. Não escuto. Vou andando, achando e torcendo para que o fim seja algo razoável, positivo. Vou andando e não vou sozinha. Vou com meus pensamentos céticos e com as lágrimas secas. Vou andando sem saber por onde ando, sem olhar para o lado. Eu vou. E vou tentando crer. E tentando te convencer que vou. E tentando te convencer que será melhor. E tentando me convencer que devo andar.






p.s.: quase um mês sem postar. eu sei. não, eu não esqueci do Ironia. Mas o texto e o título deste texto explicam um tanto o porque de tudo =)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Três Lados

O Skank começou a cantar por aqui: "somos dois contra a parede e tudo tem três lados". Nunca havia entendido essa dos três lados. Minha vida sempre foi em busca de certezas, certeza binária mesmo: 0 ou 1. Sim ou Não. Na melhor concepção Dworkiana, eu queria sempre a 'resposta correta".

Comecei a aprender, mesmo sendo monitor, com o tio Zènon Bankowski, que não é sempre assim. Na verdade, quase nunca é assim. A verdade é que vivemos e convivemos sob uma tensão. Tensão das melhores. Tensão entre esses 'sim" e "não", tensão entre "amor" e "direito", tensão entre "0" ou "1". Ocorre que caso a caso temos que fazer escolhas. Muitos perguntariam "cadê a previsibilidade?", outros diriam que isso seria mero pragmatismo, prática não aconselhável para um mundo nada justo; afinal, caso a caso os que possuem o poder poderiam decidir da forma que fosse mais benéfico para eles.

A questão toda é a seguinte: devemos escolher fazer a coisa certa pela razão certa. Isso demanda, claro, validade e justificação.
Daí advém meu dilema moral. Comecei o ano muito bem resolvido, mas a boa resolução não surtiu os frutos esperados.Opções antigas e novas retornaram. Descartei, ontem, a antiga. A nova vem pesando nas ações. É válida, mas é justificável? Devo insistir um pouco mais na plantação passada?

A jurisprudência é forte. Ela diz que "Não importa o que aconteça, vai dar merda". Nisso, a Tha vem e pacifica na doutrina: "Então, você já tem o lucro: afinal,o que vier está ótimo". Complemento com a doutrina do Tiago citando o Advogado do Diabo: "O sentimento de culpa é como um saco de tijolos. Tudo que você tem que fazer é soltá-lo". 

A questão é a jurisprudência ganhar mais um caso. Mais uma solução de três meses. Porém, é a vida. Que devia ser bem melhor e, quem sabe, não será após esse sábado????

...e quanto a mim, te quero sim!
Vem dizer que você não sabe?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Com atraso, mas é bom saber..

Um dos grandes motivos de me orgulhar por onde estou e ainda acreditar no Direito:


Notícia

Dia do Índio

AGU é defensora de políticas e direitos de todas as tribos brasileiras na Justiça


Dia do Índio foi instituído em 1943 no Brasil - Fotos/Montagem: Sérgio Moraes/AscomAGU
Data da publicação: 19/04/2010

A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve importantes vitórias, este ano, na defesa das políticas públicas indigenistas na Justiça. A demarcação contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, foi a maior delas. Por meio da Procuradoria Federal Especializada junto à Fundação Nacional do Índio (Funai) e de Procuradorias Federais estaduais, a AGU defende judicialmente e dá assistência jurídica aos indígenas.

Execução, coordenação e articulação das políticas públicas indigenistas; conhecimento da situação fundiária das terras indígenas no Brasil e gestão ambiental nas terras indígenas estão entre os temas tratados pela AGU na defesa dos direitos indígenas.

"A Procuradoria-Geral Federal (PGF) tem grandes responsabilidades, e uma das maiores se liga à questão indígena, especialmente porque somos constantemente demandados não somente a defender a Funai em juízo, mas também os próprios índios e suas comunidades. Esta é uma das atribuições mais gratificantes que executamos, pois o seu resultado, com o nosso êxito, é imediatamente sentido pelo grupo social alvo da política pública específica - no caso, a indígena", afirmou o Procurador-Geral Federal, Marcelo de Siqueira Freitas.

Além de Raposa Serra do Sol, a instituição atuou no caso da Terra Indígena São Marcos, também em Roraima, assegurando o usufruto exclusivo da área aos índios Macuxi, Taurepang e Wapixama. No Mato Grosso, na Terra Indígena Urubu Branco, a AGU garantiu, na Justiça, a retirada de posseiros da área pertencente à comunidade Tapirapé.

Os Pataxó Hã-Hã-Hãe conseguiram permanência na Terrra Indígena Caramuru-Paraguassú, na Bahia, por meio de atuação conjunta da Adjuntoria de Contencioso da PGF e da PFE/Funai. A terra, destinada aos índios pelo Estado, foi invadida e convertida em fazendas particulares. O processo de retomada começou em 1980, tendo fim apenas em 2009, quando a questão foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal.

Outra atuação relevante foi a ação que condenou madeireiros a indenizarem em R$ 3 milhões os habitantes da Terra Indígena Kampa, no Amazonas, por danos morais, e o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, em R$ 5 milhões, para reflorestamento de área desmatada nos anos de 1981, 82, 85 e 87. Em valores atualizados, as madeireiras terão que desembolsar R$ 15 milhões por danos a terras indígenas.

Raposa Serra do Sol

Em março de 2010, a AGU conseguiu derrubar liminar concedida pela 4ª Vara Federal de Campo Grande, em favor da Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), que tentava limitar a demarcação das terras indígenas àqueles que não estivessem no local desde 1988. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região acolheu os argumentos da Advocacia-Geral e determinou a retomada dos trabalhos por parte da Funai.

À época da defesa da demarcação contínua das terras indígenas da Raposa Serra do Sol, o então Advogado-Geral da União, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli, lembrou que as comunidades que tiveram os limites demarcados em forma de "ilhas", como os Caiovás no Mato Grosso do Sul, provam que esse tipo de demarcação leva à perda de identidade e tradições. A distância física entre integrantes da mesma etnia impossibilita a produção de descendentes e de cultura. "O laudo antropológico reflete uma realidade de necessidade de demarcação contínua", ressaltou o ministro Toffoli.

A AGU está atuando juridicamente, no momento, em outras demarcações contínuas propostas pela Funai em diversos estados. Os processos estão em fase de análise. Todos os advogados que atuam na PGF e nas Consultorias Jurídicas junto aos Ministérios são membros de carreira da AGU.

Dia do Índio

Nesta segunda-feira (19/04), é comemorado, em toda a América Latina, o Dia do Índio. A data foi instituída no Brasil em 1943, pelo presidente Getúlio Vargas, com o Decreto Lei nº 5.540. Foi escolhida em homenagem ao dia em que líderes indígenas participaram do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, no México, em 1940, e é a mesma para todos os países da América Latina. O Serviço de Proteção ao Índio foi criado em 1910, ou seja, o indigenismo estatal, no Brasil, já completou 100 anos.