Andar na rua. Ver um carro e, por milésimos de segundo, o coração parar, sentir o frio percorrendo cada veia, cada cantinho do corpo. Olhar para o carro novamente e perceber que não era quem você achou que fosse um segundo atrás. Nesse momento você já estava culpando o destino, o acaso ou qualquer entidade que tenha sido responsável por fazer este encontro entre vocês. Continua andando e percebe que ninguém no mundo reparou como seu mundo acabou de receber uma descarga de adrenalina e, de verdade, você não se importa com isso.
Passado um minuto do acontecido, você para e pensa: como é possível que isso ainda aconteça comigo? Pelo-amor-de-Deus, não estou apaixonada! Isso é coisa de menina, que sente o mesmo efeito ao ver o nome, ou o quase-nome, da pessoa entrando no msn. Como eu me deixei levar? Eu saí com ele duas vezes, for God´s sake! Mas por que então que isso me aconteceu?
Não importa se tem 10, 15, 20, 25, 30 anos. Mulher é boba assim mesmo. Não importa se o cara é um Deus grego ou o sujeitinho da esquina. Não importa se ele é um príncipe encantado ou se só a faz sofrer. Mulher não consegue se controlar nessas situações. Acha que é ele e que vai sair do carro com um buque de flores e a surpreender no meio da rua, vai beijá-la e mais uns 2 segundos de imaginação e ela já está no terceiro filho.
É por isso que praticamente todas caem em qualquer conversinha de malandro. A mente feminina é incrivelmente poderosa. Quando quer (grife-se: quer), acha que um carinho é um pedido de namoro ou que um olhar para o lado é um “não te amo mais”. É difícil viver assim, sério! Depois de alguns anos você já não sabe mais o que pensar, ou como agir. Tipo hoje com o acontecido do carro. Eu entendo e até aceito que seja meu cérebro me pregando uma peça. Mas a questão não é essa. A questão é, por que ele faz isso? A questão mais profunda é, por que ele faz meu cérebro fazer isso comigo?
texto escrito e para ser lido ao som de Maria Gadu.
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Destinatário da lágrima
Não me diga que seu romance durou a exorbitante quantidade de sete dias. Sua esperança decaiu de plano em uma semana, as fantasias foram vendidas antes do décimo dia do prazo. Você está mal novamente, apesar de toda a minha teoria. Eu quis te avisar.
O seu não-reconhecimento-a-mim talvez se dê pelo fato de que nada deveria ter um nome por medo que esse nome o transforme. Você falou aquela palavra com 5 letras começada com a letra "A", como diria o Gessinger. As especulações filosóficas são muitas. Adeus? Amigo? Ambas, quem sabe!?
O clichê do "não quero te magoar" é a coisa mais odiosa de todo o imbróglio, visto que a tentativa é instituto bilateral. Eu quero também poder escolher se deixo você me magoar ou não. Algumas pessoas são incapazes de magoar outras, você é uma delas. Porém, sempre que venho a interagir com idéias assim, logo me vem uma vontade de "desisto, tudo bem.". Porque se a afirmativa é negativa "não quero te magoar", há uma concepção positiva de que você irá fazê-lo. E geralmente as pessoas fazem.
Acho que perdi a prática de inverter o ônus da prova. Ficar conformado também nunca foi meu sítio. Insistir também não é mais desembaraço, eu não preciso mesmo mais disso. Somente quero dizer, guria, o seguinte: quem te faz chorar não merece tuas lágrimas. Contudo, o destino, inexorável que é, acaba por consertar tudo; pois sou eu aqui cuidando de você, te acarinhando, secando seu pranto. Sou eu quem acabo por ser o destinatário final das tuas lágrimas.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O que se passa..
Eram os dois amigos conversando entre uma cerveja e outra.
Um deles cita Caio F. : "Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém.". O outro questiona o motivo. Era mais do mesmo. Por mais que o primeiro tentasse, os caminhos sempre o levavam ao mesmo sorriso aberto e olhos brilhantes.
O que se seguiu foi a seguinte questão:
"Não sei o motivo de vocês dois não estarem juntos , até hoje. Vocês são o casal não-casal mais casal que eu conheço. Vocês implicam como casal, se orientam como casal, quando se juntam passam por casal, embora não se beijem e talvez não se toquem tanto. Porém, meu amigo, poucas vezes vi um olhar tão cúmplice, tão intimo, tão tocante quanto o que vocês tem um para o outro. A química de primeira ordem, por assim dizer, de vocês é fantástica. Calma, não terminei. Eu acreditava - na verdade, eu e as torcidas dos times de vocês - que após o imbróglio todo, vocês estariam juntos. Mais juntos, você entendeu o que quis dizer. É questão de merecimento, de encaixe da coerência final de todas as coisas, de providência divina. É ponto de partida inegável que formam dois inteiros que completam a existência de um universo que vocês bem quiserem.
Vocês são tão bons juntos, que a individualidade de vocês é aparente, mas alcançam, veja bem, alcançam sem fazer força uma compensação de tornarem suaves as duas presenças.
E esses sorrisos de vocês? Vocês iluminam onde estão. Cara, viu? Já estou ficando piegas igual a você. O que eu quero dizer é: Eu acredito que vocês são o melhor plano de um para o outro. Sei que você enxerga isso, e não sei porquê você ainda não tomou decisões fortes".
"É que não é simples, não sei da minha credibilidade nessa seara. Além do mais, se eu disser eu perco, mas se eu não disser, também. E isso é muito complicado."
E com aquele velho drama, o amigo questiona: "Vai deixar a mulher da sua vida passar?"
"É muito mais ato de vontade dela. Eu já dei todas as bandeiras, ela é esperta demais para não saber o que se passa.."
Os dois param e sorriem, porque no som está tocando: "quando é que você vai sacar que o vão que suas mãos fazem é porque você não está comigo?!".
Então, deixa ser como será.
sexta-feira, 26 de março de 2010
(Re)Educação Sentimental
Ao mesmo tempo que todos meus fins de noite e inicio de madrugadas tem sido com o mesmo pensamento: puta que pariu, estou cansado para car****!!!, eu tenho agradecido aos céus por tanta reviravolta e tentativa de encaixe em uma rotina, no mínimo, nova. Essa minha coisa de querer puxar 8 matérias, monitoria, Advocacia Geral da União têm me servido para não pensar tanto nesse meu coração maluco, alucinado e sobretudo nessa merda de cupido que possuo, que DEFINITIVAMENTE fuma maconha ou tem alguma rixa pessoal comigo em tal nível que provoca risos quando eu me ferro.
Sim, senhores, eu não aprendo. Na verdade, eu tenho aprendido. As coisas vão ótimas. Porém, o inferno é realmente o outro. Enquanto uma decisão não transita em julgado, cabe recursos e embargos de terceirAs. É assim no processo e na vida, não tem jeito. Ai, fica o feliz aqui, de um lado esperando uma resposta favorável que me fará ter a vida que sonhei, de outro, fico evitando de olhar para certos cantos daquela faculdade de Direito e imediações, porque quando você olha pro abismo, o abismo também olha pra você.
Essa semana aconteceu a cena mais patética dos últimos tempos, eu vi a cidadã que ressurgiu a máxima do Nando Reis: 'O que está acontecendo? Eu estava em paz, quando você chegou". Eis que dou meia-volta volver e vou ver se a aula de medicina legal começou. E na hora que eu entrei para a aula, me deu vontade de ir lá fora e falar qualquer besteira, só para cumprimentar. Mas nessa indecisão toda, já são 10 horas e vamos que vamos rumo a mais um dia de batalhas processuais, aulas infinitas e eternas, e a chegada em casa com posterior lanche leve e DESMAIO na cama.
O Leoni me dava a razão e zomba da minha cara: "É sempre a mesma cena, só te ver no corredor, esqueço do meu texto, eu fracasso como ator. Só dou vexame, ficando olhando pros seus peitos, escorrego na escada (ou dou meia-volta), acho que assim não vai dar jeito". Não vai dar jeito mesmo, porque é preciso coragem. Talvez a filosofia proclamada sobre ser melhor ficar vermelho uma hora, do que amarelo a vida inteira seja realmente correta.
Bem que eu podia aprender, né? Precisando de mais aulas sobre Educação Sentimental.
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