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terça-feira, 14 de setembro de 2010

(Quase) Lá

É a bola na trave ( que sabemos pelo Samuel Rosa e Nando Reis: não altera o placar). É o rebote desperdiçado. Olhada no jogo paralelo e, bem, aquela chance eu não desperdiçaria.

É o chute torto, o cabeceio por cima do gol. A bola de 3 pontos a dois segundos do fim que bate no aro, mas não cai. São as saudades que não se resolvem, a poesia que foi rasgada na última rima. O escrito de lápis que se perdeu. A caneta que falha.

É a prova que impede a presença. A falta que (não) foi sentida. A porta aberta do carro antes do destino. O som que não pega. E quando pega, pula a faixa. Inferno astral?

Ligação não completada. Visão turva. Garrafa de cerveja vazia, a de água está quente.
O carro responde, mas não há caminhos. A música toca, eu não acompanho. Sinal vermelho, curva da estrada errada. Sol se escondendo. Eu escrevendo.

Te vejo mais tarde?
....

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Delírio

Seus olhos tinham um brilho diferente,um brilho conhecido. Retirado das estrelas mais longínquas era um brilho diamante. Um brilho que ofusca quem tenta encará-lo de frente, o brilho dos olhos apaixonados.

Sua boca carregava um sorriso aberto, franco. Aquele sorriso que dá vontade de ser feliz só de olhar. Era aquele sorriso fácil, que corre nos lábios de quem merece tê-lo.

Chegava a causar inveja. Tanto amor chamava atenção. Por mais que tentasse esconder, para evitar problemas, ele não passava despercebido. Atingia a todos na fibra mais intima. Percorria seu sangue numa corrente elétrica contínua. Motivava, inspirava. Era o amor, puro, belo, inocente.

E não correspondido.

Parece inacreditável que seus olhos brilhem mesmo que sem a atenção dos olhos que busca. Parece inacreditável que seus lábios ainda sustentem um sorriso enquanto o coração entristece,e chora consternado. Parece inacreditável toda essa situação. Mas não é.

Ela está ali, vivenciando o amor e a tristeza. Ele está lá; está, simplesmente, está.


...


Me acorde desse delírio e diga ser real a reciprocidade.

terça-feira, 28 de julho de 2009

O Velho e o Moço...

O post anterior, da Tha, caiu feito luva, feito coberta quente em noite fria. Também ando meio reticente sobre o que sentir, meio sem reação sobre o que pensar.

A cada fato, a cada acontecimento fica sempre a certeza do "dia após o outro", nada de planos megalômanos de futuro, esse possui um terreno incerto demais para qualquer construção.

Escolhas. Essa palavra, no plural mesmo, tem sido frequente nas discussões com meus amigos mais próximos. Há aquelas que são "forçadas", aquelas que são "por consequência", aquelas que a gente tem que pagar para escolher e aquelas que a vida cobra quando escolhemos. Tenho visto gente terminar relacionamento, começar relacionamento, empurrar relacionamento, manter relacionamento e balançar no relacionamento. Eu tinha prometido que não mais me envolveria em questões assim, mas....é mais forte que eu.

Sem adentrar aos casos em si, o importante é escolher e assumir. O devaneio é curto, é esse.

"....
Deixo tudo assim, não me acanho em ver
vaidade em mim.
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo e eles têm razão.
Quando vem dizer que eu não sei medir,
nem tempo e nem medo
.

E se eu for o primeiro
a prever e poder desistir do que for dar errado
?

Ahhh, ora, se não sou eu quem mais vai decidir
o que é bom pra mim
?
Dispenso a previsão.

Ahhh, se o que eu sou é também
o que eu escolhi ser
, aceito a condição.

Vou levando assim.
Que o acaso é amigo do meu coração
Quando falo comigo, quando eu sei ouvir..." ( O Velho e O Moço)


quinta-feira, 16 de julho de 2009

retina*



encarar os olhos
é, das minhas coisas que faço diariamente,
aquilo que mais gosto
de fazer:
pescar as ilusões
que se espalharam
e descobrir
que quem pisca
é covarde ou tem um pouco
de timidez
e revela essas querelas humanas
essas verdades
que os livros
de justiça escondem...

"Valeu a pena!
Sou pescador de ilusões, pescador de ilusões"

* Do que eu vejo na Defensoria Pública e me fazem ver como são rídiculas minhas preocupações e reclamações, um dia detalho!