domingo, 20 de março de 2011

Enfim, entrei pro clube

Certa vez, eu navegava pelo blog do Gabito Nunes, o Caras Como Eu, eis que em um dos textos - de títutlo homônimo ao blog -, uma mulher comentou com toda a sinceridade do mundo o que segue:

"Sahh disse...
Eu namoro um menino assim. As vezes eu canso do mau humor dele, canso dos monólogos sobre futebol e política, canso da mania que ele tem de pensar que eu sou propriedade dele e que nada que ele faça de mal vai ser fatal para nós (pq ele tem aquele sorriso de guri que me faz desmoronar). As vezes canso mesmo e penso em terminar com ele. Só que quando eu penso em voltar a ser solteira, eu sei que eu não saberia ficar sem ele. Não teria nada mais broxante do que ir toda arrumada para uma balada e escutar 'bah gatinha, te achei tri gatinha.. deixa eu beijar essa tua boca". Chega a me dar um arrepio de nojo. E esse é o maior problema de ter em sua vida um garoto que conhece a filmografia do Almodóvar, depois dele todos vão parecer banais. E aquelas conversas baratas não serão mais suficientes. E assistir o novo blockbuster não vai ter mais graça depois de ter visto com ele aquele filme que ganhou oscar de melhor estrangeiro em 1900 e tantos. E tu nunca vai se sentir bem em um carro tunado de sei-la-quantos-mil depois de ter conhecido o conforto de um carro 1.0 com aquele menino meio termo que te fazia dar risada como tu nunca tinha feito antes na vida. Em suma, vocês, garotos meio termo, são os piores. Piores até mesmo que os cafagestes, porque toda mulher espertinha tira de letra um cafageste. Vê de longe que o cara não vai ser o pai dos filhos dela. Mas vocês não. Até mesmo a mulher mais esperta do mundo não resiste a um meio termo, porque ela não vê ele entrando na vida dela. Quando ela se dá conta está com ele comprando um Cabernet Sauvignon para o próximo sábado. E, quando ela menos espera faz planos para o próximo verão. Até que chega ao ponto de ficar como idiota imaginando como ele seria o pai perfeito para os filhos dela. Pronto, ela caiu nas garras do meio termo."
E confesso, eu tive uma invejinha de uma demonstração pública dessas, ainda que o nome do cidadão não tenha sido citado; mas o jovem existe, oras. Ok, eis que nessa semana também fui vítima - digamos assim - de um depoimento desses. Não foi em um palanque físico ou cibernético, foi no privè do meu carro, e só torno público porque veio de uma mulher que me conhece há muito tempo e disse: "Eu achava que você não valia a pena, até que conheci os fulanos que você sabe bem a história. Hoje, se eu não estivesse namorando, eu tenho certeza que eu te agarraria. A "fulana" será boba se não entender isso também. Você é um desses caras para casar. Você é um grande homem, que ficam ainda mais irresistíveis depois que a gente entende aquela sua piada mal contada".  
Então, acho que, enfim, entrei para o clube e posso me intitular Caras Como Eu. Quem sabe?

terça-feira, 8 de março de 2011

De que ana Hollanda tem medo?

 Fonte: http://andrebarrospolitica.blogspot.com/2011/03/de-que-ana-de-hollanda-tem-medo.html

De que Ana de Hollanda tem medo?

4 de março de 2011
De que Ana de Hollanda tem medo?


Na última semana, extravasou na grande imprensa a controvérsia que vem marcando os dois primeiros meses de ministério da cultura sob direção de Ana de Hollanda. Desde janeiro, intenso debate circula nas redes sociais, porém, só com o afastamento de Emir Sader pela ministra, intelectual antes cotado para assumir a Fundação Rui Barbosa, os conflitos receberam maior destaque. Agora, muitos começam a informar-se sobre o que pode ser a primeira crise mais séria do governo Dilma.

O dissenso foi provocado pela ação de militantes, comunicadores, pesquisadores, produtores, ponteiros e cidadãos, dentro e fora da internet, partidarizados ou não, que fizeram ou não a campanha de Dilma. É um movimento heterogêneo, difícil de classificar. Começou brando mas vem crescendo à medida que as avaliações iniciais sobre a nova política cultural se confirmam, diante das medidas concretas tomadas pelo ministério. Como primeira vitória, temas relacionados ao novo MinC foram resgatados dos suplementos "mercado" ou "dinheiro", da grande imprensa, onde estavam sendo abordados, de volta aos cadernos culturais ou políticos.

Pode parecer uma controvérsia menor, levando em conta o orçamento do ministério da Cultura, em relação a outras áreas do governo. Seriam alguns tostões (0,12% da despesa federal) comparados às fábulas despendidas pelos ministérios da previdência, da saúde, da defesa, da educação.

Mas seria interpretar o problema numa métrica falha: o valor de uma cultura não se afere quantitativa, mas qualitativamente. Com ainda mais razão, nas últimas décadas, com a mutação das forças produtivas. Autores chamam-na de virada para uma sociedade pós-industrial, pós-moderna, pós-fordista, da informação e conhecimento.

Como quer que seja batizado, emergiram novas formas produtivas, numa espécie de revolução pós-industrial, em que o imaterial passou a comandar a geração de valor. Isto não significou o abandono da produção industrial, mas a sua reconfiguração num novo paradigma. Da mesma forma que a mutação do trabalho no século 19 industrializou a agricultura, sem porém substitui-la, hoje ocorre um processo de pós-industrialização da produção industrial.

Com isso, a cultura, como criadora e propagadora de valores intangíveis, se torna imediatamente produtiva. Na nova economia, a cultura e o conhecimento movem e qualificam a cadeia produtiva. Por isso, a cultura não pode mais ser tratada como acessório ou departamento, como numa divisão fabril. Ela passa a atuar de modo transversal a todos os ministérios, qualificando direta e indiretamente todas as políticas públicas (como o meio-ambiente). Não há mais economia da cultura, a economia é cultura.

Por mais que defensores da atual gestão desqualifiquem o movimento que lhe contesta, --- como se não passasse de uma revide paroquial de grupos alijados, tentando recuperar aparelhos e cargos; --- na realidade, o que está em jogo são duas concepções de cultura profundamente diferentes e irreconciliáveis. Trata-se de um corte conceitual, por assim dizer, entre a cultura como mundo e o mundinho da cultura.

No governo Lula, o núcleo das políticas do MinC consistiu no complexo da Cultura Viva, sobretudo os Pontos de Cultura. Além do assistencialismo, os Pontos vem exprimindo uma nova forma de produzir e afirmar-se, uma forma autônoma. Foi a formulação mais feliz, enquanto técnica de governo, de um movimento imanente à sociedade.

Com os Pontos, o estado não está simplesmente doando a fundo perdido. Reconhece a dimensão produtiva da juventude, dos pobres, das periferias e dos rincões, das minorias negras, quilombolas, indígenas. O estado reconhece que eles têm uma força própria, uma potência de vida, que não precisam ser incluídos na economia apenas como consumidores. E então investe, fornecendo condições materiais para que cada nó da rede se autovalorize e crie, ele mesmo, os conteúdos de sua cultura, --- no ato mesmo em que os dissemina, miscigena e remixa com o restante da teia.

Longe de induzir dependência (viciar o pobre na mamata), trata-se de um investimento com custo relativamente baixo, mas que colhe imensuráveis dividendos à sociedade. Se existem passivos, e por óbvio toda política deve ser permanentemente aperfeiçoada, do outro lado desponta um imenso ativo: o empoderamento do cidadão como produtor de seu mundo, um campo produtivo liberto de subordinação e partilhado em rede. Todo o conjunto funciona num ciclo virtuoso de cultura, política e economia.

Não à toa, no governo Lula, os Pontos de Cultura contemplaram cerca de 8,4 milhões de pessoas, e o sociólogo Giuseppe Cocco, da UFRJ, considere-o essencialmente complementar ao programa Bolsa Família. Assim o cidadão não só tem acesso à renda, como também condições de produzir valores. Se o governo Dilma for esperto, colocará os Pontos no mesmo patamar do Bolsa Família: imune a cortes, prioridade de expansão, coordenado com outras políticas sociais.

Vale destacar que essas configurações produtivas não foram simples efeito das políticas do MinC. O ministério não as produziu. Elas já aconteciam. A sociedade global já se reorganiza no sentido de adaptar-se às novas liberdades das redes. A disseminação generalizada de conhecimento e cultura já é uma realidade incontornável e irreprimível, do mesmo modo que a forma de militância que lhe corresponde. Uma militância em enxame, simultaneamente política, cultural e social, como a que vem realizando a primeira Revolução 2.0, na Tunísia e no Egito.

Portanto, foram as lutas dos trabalhadores precarizados, de todos os excluídos por décadas de neoliberalismo, que abriram uma brecha para esse modo criativo de viver cultura. O MinC com Gilberto Gil e Juca Ferreira somente aceitou essas mudanças, não as tentou bloquear ou criminalizar, e se deixou ocupar e ser formulado por um movimento multitudinário e enxameante.

Daí a conquista dos Pontos de Cultura e a afirmação dos novos direitos desse mundão 2.0, cujos slogans são compartilhamento e vibração em rede. O social não está matando a cultura; devoram-se amorosamente um ao outro.

O que acontece quando Ana de Hollanda e sua equipe de formuladores (os policymakers) assumem o ministério? Uma reviravolta. Tudo o que, em alguma medida, remete às novas liberdades, aos novos modos de produzir, à pós-industrialização, tudo isso se torna obscuro e ameaçador, ou então ingênuo e populista.

Daí a esconjuração, açodada e sem consulta, do Creative Commons (CC). Logo na primeira canetada, até hoje sem qualquer explicação razoável pelos novos gestores. Eles sequer demonstram saber do que se trata, senão talvez como uma vaga associação do CC a essas "obscuras mudanças". Afinal, CC e copyleft são as principais alternativas ao sistema cerrado de propriedade imaterial, o copyright; conquanto, a bem da verdade, nada haja de revolucionário nessas licenças mais flexíveis por si mesmas.

Daí também o temor quanto à reforma da Lei dos Direitos Autorais brasileira, uma das mais draconianas do mundo, que segrega do domínio público as obras, e por até 70 anos depois da morte do autor. O projeto tem sido profunda e extensivamente discutido desde a sua formulação no governo Lula, com 80 encontros nacionais, 7 seminários e uma consulta pública que colheu mais de 8.000 sugestões. Desconheço projeto de lei tão minudenciado, inclusive em sites como htttp://www.reformadireitoautoral.org ou http://www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral

A quem não interessa a transformação, tão potencializada pelo governo Lula?

Primeiro, às grandes corporações que exploram a cultura. Às indústrias culturais que ainda apostam no modelo antigo e excludente. Quem mais lucra com propriedade imaterial não é o autor, mas os atravessadores: gravadoras e editoras. Indo só um pouquinho além do autor, logo ali em frente, percebe-se que a cultura não se faz só no momento da autoria. O ministério não é do Artista, mas da cultura.

Há toda uma cauda longa (99%?) de técnicos, roteiristas, produtores culturais, seguranças, faxineiros, promoters, designers, críticos, blogueiros, jovens músicos, maquiadores que não recebem um tostão em propriedade autoral. Ainda menos no século 21, em que o processo sobreleva ao produto em si. Hoje a renda vem muito mais da circulação, do marketing, da constituição dos públicos, da interatividade, da abertura para o remix; do que das tradicionais obras magnas, --- aquelas gravadas no bronze da eternidade.

Para a indústria, não interessa remunerar essa massa de precários com Pontos de Cultura, editais democráticos, ação Griô etc. Os trabalhadores culturais precários, quando simplesmente não desistem dessa carreira, vêem-se na contingência de vender barato sua criatividade, assim como o artista jovem (na verdade quase todos) os seus "direitos autorais".

Sem ter pra onde correr, essa lógica de mercado mata dois coelhos de uma vez: 1) suprime a autonomia do produtor, obrigado a se subordinar aos patrões empresários, e 2) obriga-o a viver de bicos e contratos temporários, incapaz de negociar melhores condições.

Isso explica o porquê da centralidade da "criação" e do "criador" nos discursos da ministra e seus apoiadores. A indústria, com sua divisão social piramidal, é a melhor forma de valorizar o criador, o Artista, que fica no topo ,--- o rei-filósofo no comando da cidade da cultura. Esses medalhões, a maioria com mais de 50, não formam uma classe ("classe artística)". No máximo, uma corporação inadaptada e paranóica com os novos modos de produzir, organizada para tentar salvar os seus benefícios.

Por muito tempo a cultura brasileira se pautou pelo predomínio da "classe artística". Os holofotes da grande mídia contornavam sistematicamente a criatividade imanente do país, as produções de periferia e interior, dos pobres. Não foi o MinC que derrubou o negócio. Mas a sociedade. O MinC com Lula e Gil e Juca veio democraticamente a reboque, e potencializou esse movimento.

Antes, essa produção era tratada como folclore, num regionalismo condescendente, ou então como mística do povo --- e não como o coração e o sangue da criação do universo. Algo que somente artistas pensantes, como Gláuber, Oiticica ou Gilberto Gil, enxergavam já na década de 1960. Eis mais um dos motivos que a sociedade inventou e desenvolveu as mídias livres, ou que artistas mais seminais se deixaram invadir pela potência da multidão. Para se autovalorizar, pois a grande imprensa e indústria não davam valor.

Na cultura como mundo, os medalhões vêem ameaçado o seu status superdimensionado, por vezes narcísico. Essa superexposição de uns poucos é promovida pela indústria para codificá-los e valorizá-los como marca. E então extrair daí seu lucro, através da transmissão da imagem e do copyright. Claro, muitos sempre tiveram qualidade (quem vai dizer que Chico Buarque ou Caetano não sejam brilhantes?), mas quantos aí não foram golpes de marketing? Quantos filhos ou irmãs de celebridades não hauriram essa marca, por tabela?

O discurso pró-Ana de Hollanda retoma a mesma acusação de amadorismo, antes imputada ao "povão". Os Pontos de Cultura são ingênuos e demagógicos, funcionam num clima "meio estudantil" e não trazem resultados concretos. O mesmo tom de Hosni Mubarak, o ditador egípcio, quando a confrontado com a revolução 2.0. O mesmo tom de Luiz Carlos Barreto ou Cacá Diegues, que agora pretendem "acertar as contas" com os arranjos produtivos que os contornam (contornar a Globo Filmes, por exemplo). No fundo, eles pedem, e esperam que Ana de Hollanda conceda: não dêem o dinheiro pra esses moleques e merdinhas, dêem para nós... nós que somos os profissionais!

Quanta falta de generosidade... quanto preconceito em não crer na qualidade das pessoas!

Aí se explica, também, o discurso cultura-e-mercado, que desde FHC (cujo MinC tinha por slogan "A cultura é um bom negócio") não predominava de modo tão acintoso. Novamente, para desmerecer a produção em rede: insustentável.

Sustentável seria a indústria tradicional, articulada com a exploração da propriedade imaterial. Como se esta não dependesse historicamente de isenções, subsídios, "verbas de emergência", repasses diretos. Aqui, mercado ou estado atuam como unha-e-carne, planejando os investimentos. Por isso, seria tão central passar a investir em "indústrias criativas", --- um nome engenhoso para o projeto de enquadrar cabalmente a cultura ao mercado. Ou seja, à subordinação da produção cultural às corporações, ao emprego formal, ao copyright, à gestão centralizada dos recursos.

No ano passado no Rio de Janeiro, a aplicação das teorias da economia criativa, --- uma cria, aliás, do governo neoliberal de Tony Blair na Inglaterra, --- não fez mais do que concentrar os investimentos públicos (R$ 270 milhões) em mega-museus. Que serão explorados por quem? Pela Fundação Roberto Marinho.

Por enquanto, a ministra vai promovendo a "economia criativa" por onde passa, enquanto faz promessas à rede da Cultura Viva, que tudo vai continuar como antes, normalizado. A discussão da LDA? Perguntada, não é papel de ministra opinar, mas de uma comissão de especialistas jurídicos, que vai reapreciá-la. Novamente o discurso técnico, como se o regime de propriedade, material ou não, não fosse questão das mais políticas.

Enquanto isso, a secretária Marta Porto, que nem foi nomeada, correu o Brasil para abrir o diálogo com a rede de Pontões e Pontos de Cultura. O MinC está em dívida com a rede, com pagamentos atrasados na ordem dos R$ 60 milhões. As boas intenções são irrefutáveis, mas faltaram informações palpáveis de prazos, metas e o planejamento para a expansão prometida da Cultura Viva.

Basicamente, a questão colocada pela secretária foi a disjunção exclusiva: qualificar ou expandir? Isto é, arrumar a casa (numa crítica implícita à gestão anterior) ou crescer a rede? Para Ivana Bentes, diretora da ECO/UFRJ, é preciso qualificar e expandir, numa disjunção inclusiva. E quem deve qualificar o MinC são os Pontos, com sua experiência adquirida de democracia e produtividade, e não o inverso, uma gestão que começou agora.

É no mínimo sintomático como a Aliança Internacional de Propriedade Intelectual (IIPA) --- tão querida pelas mega-gravadoras, pelas majors do cinema e pela Microsoft --- passou a ver com bons olhos o governo brasileiro, quando, no governo Lula, estava na "lista negra". Quase ao mesmo tempo, no Fórum Social Mundial, em Dacar, os movimentos elaboraram e encaminharam uma carta à ministra, no sentido oposto, preocupado com possíveis retrocessos.

Por tudo isso, a luta não é por nomes ou números, mas por uma concepção global de política, cultura e sociedade. Por um projeto de democracia. O ministério da cultura exerceu papel ímpar no governo Lula, como vanguarda propositiva e qualificador das políticas públicas. Ainda foi pouco, e é preciso consolidar e ampliar as redes, mesmo que seja apesar, quiçá contra o novo governo.

Está ficando claro que isso dependerá muito mais da articulação e do movimento dos atores culturais, que continuarão produzindo na precariedade, e já mostraram não ser vacas de presépio, do que dessa gestão. O MinC voltou a ser só estado.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A hora da Estrela vai chegar*

E tão longe de mim assim, Estrela, foi você iluminar a noite. Por tanta distância as lágrimas correm ao me lembrar de você. Oh, Estrela, terá sido escolha se refugiar tão longe de mim?

Seu brilho chega em mim e reflete pequenino nos meus olhos, tão pequenino quanto era a pequena quando você partiu. E o brilho, Estrela, esse brilho que carrego no sangue e na alma, me faz lembrar de você.

10 anos, Estrela. 10 anos que você se foi. E foi para tão longe que marcou tão fundo e até hoje não consigo administrar bem. Não é perda, Estrela, veja bem, é distância. Por que não me iluminou de pertinho? Por que me olha apenas, Estrela? Fala comigo, Estrela. Me abraça forte e diz que está de volta e que vai ficar por perto.

10 anos, Estrela, é mais tempo que já passamos juntas. E isso dói como se fosse há 10 anos. É uma ferida que não tem cura, Estrela. Não é com o tempo, não é com conhecimento.

Te quero perto, Estrela, pois só seu amor é verdadeiro. Quando você foi pra longe não consegui mais me apegar a ninguém com medo de que fossem pra longe também. E os poucos a quem me apeguei, Estrela, eles jamais tiveram a pretensão de tomar seu lugar, mas queria eu que substituíssem o carinho e a falta que você me faz.

E o anjo, Estrela, que bela escolha. O anjo me acompanha, sim. Já escolheu fingir ir para longe, mas retornou e me abraçou como jamais tivesse partido.

Ah, Estrela, que saudade de você! Correm as lágrimas e não são secadas por ninguém, pois só você poderia fazer isso. E estas vão cair quando fizerem 11, 20, 30, 100 anos. E não terá ninguém para secar. Eu sinto sua falta, Estrela.

Sua presença na ausência é forte. Minha ausência na presença talvez também será. Mas veja bem, Estrela, eu sei que de onde está pode me compreender, às vezes até mais do que eu. Vai chegar, e a cada segundo se aproxima, a hora em que nos encontraremos, a hora da Estrela.


*A hora da Estrela – Livro de Clarice Lispector e Música do Pato Fu.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Vamos lá, ter uma vida boa!


Então você decide passar a vida a limpo e recomeçar.
Decide para onde ir, o que fazer, onde quer ficar e por fim decide ficar consigo próprio, se reencontrando e reconhecendo.
Pensa nos caminhos possíveis.
Pensa nas facilidades de cada um.
Avalia o quanto vai crescer de acordo com suas escolhas e percebe que existe uma outra possibilidade.
Faz suas escolhas e faz seus anúncios pertinentes.
E ai paga o preço por se dispor a ser alguém de quem se orgulhe.
Vale o preço?
Vale sim! Se o coração estiver inteiro nas suas escolhas.
É um prazer dizer que vale a pena, embora exista pesares.
Vale dizer que muitas coisas que dizemos no processo causam dores e dissabores.
Vale ressaltar que muito do que ouvimos machuca e acaba trazendo grandes decepções ao coração que só queria ser honesto.
O balanço é, de certa maneira, positivo porque o coração, aquele que dá a cara a tapa, apanha, mas levanta forte e valente, está limpo e brando.
Inteiro.
Muito valente por saber que corre riscos, mas muito ciente e feliz de saber que hoje a responsabilidade é inteira e unicamente minha.
Faz bem pra alma.

sábado, 27 de novembro de 2010

Diga ao menos o que for...

Estou com saudade de você, sabe. Estou com saudades da gente. Do frio na barriga ao te ver até ao aperto no peito em te esperar. Estou com saudades do seu sorriso de menino, das suas brincadeiras bobas e até da nossa briga de almofadas. Estou com saudades de sair com você e ver você imitando a música que estiver tocando só pra me fazer rir. Aliás, como estou com saudades de rir. Estou com saudades das mensagens, das suas, das nossas mensagens, e de ouvir sua voz me chamando ou me perturbando. Saudade dos seus beijos, saudade de você.

Falando assim parece até que foi perfeito. Tendência nossa, tendência minha... Acabou, passou, não temos mais, então é hora de fantasiar e só olhar o lado positivo para ficar se culpando pela não existência. Vai entender... Mas talvez não seja questão de ser entendida, seja só de ser sentida, vivida, apreciada. E então não se condena mais o termina e volta, aprende a vivê-lo, a senti-lo. Por trás disso tudo não é possível que esteja apenas uma brincadeira. Bom, possível é. Só não quero acreditar ser a realidade. Por quê? Ah, “deixa eu fingir”...

sábado, 20 de novembro de 2010

Remetente: Futura Namorada


Cara, meu caro, você mesmo aí;

Sei que a vida não anda tão boa, não tanto quanto você imaginou que estaria a essa altura da vida. Porém, saiba que eu te admiro. Admiro essa tua pose de Lord inglês de paciência infinita, de garba no comportamento, de fala calma, de idealismo adolescentemente vibrante e adultamente consciente.

Sei que você será ainda melhor como Homem. Com "H" maiúsculo, porque você fez a escolha de não ter "pego" todas as mulheres, em troca de entendê-las. Isso tem um preço imenso enquanto não aprender a se mover nesse jogo. Por diversas vezes ouvirá aquela palavra de cinco letras começada com a letra "a". E, você sabe, verá tuas paixões se apaixonando e chorando lágrimas nos teus ombros; ou sorrindo ao apontar o outro como o "amor da vida" delas. Isso porque você é o amor em vida.
Sei que você está com certa dificuldade de ser samba em tempos de remix. Entretanto, eu sei que vou me derreter com esse teu jeito super piegas de declamar Drummond, Quintana, Neruda, Benedetti, Amarante, Marcelo Camelo; que vou vibrar quando você explicar sobre o relativismo cínico do Bourdieur, sobre a filosofia nos acontecimentos diários, sobre suas teorias. Sei que vou me divertir com tuas piadas momentâneas. Saberei me encantar quando você se descrever como uma mistura de Ross e Chandler, que culmina num "Ted Mosby".
Sei que você está agora lendo essas linhas e torcendo para que a remetente chegue logo. Chegarei na velocidade certa, se não estou já a teu lado, me reconhecendo nestas linhas. Perdoe se fico sem jeito, nesse momento, e não tenho coragem ou vontade ou ambos os impulsos para sair do meu lugar confortável, quente e até seguro para ir ao teu encontro. Talvez, eu ainda não tenha descoberto, no presente, que você já é o cara certo. Promete que perdoa se eu perceber isso um pouco mais tarde? Até canto "será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava?" !. Juro.

Sei que você é curioso, dedey. Pois é, já sei como teus amigos te chamam, Brugger. Porém, vou te chamar de 'meu", quando for meu homem. Vou chamar de "dedey", quando for aquele meu amigo doce; e, "Brugger", quando eu e todos nossos amigos forem se rendendo àquela tua argumentação fantástica numa mesa de bar. Não será sonho, acredite.
Com todo o carinho do mundo, torço para que você conclua o 2010 com essa evolução intensa. Termine bem as provas, concentre-se no estágio, tenha o merecido descanso. Faça uma ótima OAB, quem sabe não assisto tua defesa de monografia e danço contigo a valsa dos namorados logo logo em setembro de 2011? Por enquanto....."sorria e saiba o que sei: eu te amo".

Meu beijo, do jeito do seu beijo, nosso beijo.
Futura namorada

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Enquanto ela não chegar

Ted: Stella, por quê o Tony? É por causa do dinheiro? ...Ou por causa dos pijamas de kung fu?
Stella: Ted...Não sei! É ELE. Simplesmente, eu sei que é Ele!
Ted: É ele. É ele...sabe, Stella?! Isso que vocês tem, que eu sei que vocês têm. O que eu sei que Lily e Marshall têm....Eu quero isso pra mim!
Stella: Sabe, eu já também fugi de uma multa! Eu estava correndo a 140..150 km/h na freeway. Ai, o guarda me parou e disse o seguinte: Estava te esperando, por quê demorou? Achei nojento. Mas respondi: Eu estava correndo para você o mais rápido que pude.
Ted: risos
Stella: Ted, o que quero dizer é...Ela está vindo, Ted. Está vindo para você, o mais rápido que ela pode.

Diálogo da minha série favorita: How I Met You Mother. Realmente confesso a tal pressa para que ela chegue. Fico olhando para as folhas do calendário, "um dia a mais é um a menos pro encontro acontecer". Crio teses e discuto com o professor, "não resolve de porra nenhuma, né?". Resumo do ano. Da vida, diria a Tha.

A tese é toda quanto ao cansaço de construir e demolir fantasias, amar "errado", procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis.Bem Caio Fernando. É o desejo do querer daquela pequena, para encostar no ombro e ter conversas afáveis, que façam valer cada momento daqueles idealizados. Sim, como diria o Gabito Nunes e recitado por Caras como Eu: O último romântico, em versão samba em tempos de remix. Talvez eu jogue rápido demais, na contramão dos fatos da vida real. Porém, esse sou eu. Bem piegas mesmo, guardando um "eu te amo" que não vai escapolir dessa vez antes do momento certo. Antes que ela chegue, se é que já não chegou e está bem do meu lado. Vai saber?!

Possuir calma nunca foi minha melhor habilidade. Talvez por essa razão escrevo, para traduzir as explosões intraduzíveis de madrugadas adentro tentando encontrar explicações no cosmos. O que tenho feito de errado para aos 23 desse tempo ainda estar nesse empate sentimental?  Vem Amarante cantar agora: "Ela é mais sentimental que eu, então fica bem se eu sofro um pouquinho mais". Ou o Bruno Gouvea: "se passei por você e não te reconheci, meu amor, me perdoe, como poderia saber?". 

Vontade de dinamitar o mundo e ele dar voltas. Quantas forem necessárias. Enquanto isso, o que resta são linhas na madrugada de mãos dadas. Aguardando o tal do "momento certo", onde a fé remove até montanhas e torna o irreal possível. Se meu mundo fosse o real, tudo já estaria harmonizado.

Enquanto isso, estou pelo samba, pelo rock, pelos livros. E para essa mulher que vai chegar, "eu estou te esperando, vê se não vai demorar".

Quantas coisas eu ainda vou provar?
E quantas vezes para a porta eu vou olhar?
Quantos carros nessa rua vão passar
Enquanto ela não chegar?
Quantos dias eu ainda vou esperar?
E quantas estrelas eu vou tentar contar?
E quantas luzes na cidade vão se apagar
Enquanto ela não chegar?
Eu tenho andado tão sozinho
Que eu nem sei no que acreditar
E a paz que busco agora
Nem a dor vai me negar
(...)
Quantas besteiras eu ainda vou pensar?
E quantos sonhos no tempo vão se esfarelar?
Quantas vezes eu vou me criticar
Enquanto ela não chegar?
Eu tenho andado tão sozinho
Que eu nem sei no que acreditar

E quando chegar, será ironicamente, hermeticamente e concisamente excelente, para durar.