segunda-feira, 13 de abril de 2009
Questão transcendental
Gabriela Souza Gomes
- Mãe! … Ô mãe!
- Te aquieta, guri. Já disse que não quero saber de bola dentro de casa. Sossega e senta nesse sofá.
- Mas mãe…
- O que foi?
- Eu queria saber… O que que é ateu?
- Ateu? Ateu é… Mas onde foi que tu ouviu isso, Bernardo?
- O pai que tava dizendo ontem.
- Outra vez o teu pai. E o que foi que ele falou dessa vez?
- Eu ouvi ele dizendo que ele é ateu.
- E tu ainda dá conversa?
- Mas o que é ateu?
- Ateu é… É gente que não sabe das coisas!
- Como assim?
- Gente que não sabe o que diz ou que fala besteira.
- Hmmm.
- Agora vai tomar teu banho.
- Mas mãe…
- O que é?
- E o pai? Ele é ateu porque não sabe o que diz ou porque fala besteira?
- Teu pai não sabe mesmo o que diz. Mas ateu, meu filho, significa aquela pessoa que não tem fé. E é besteira a gente falar que é ateu porque é o mesmo que dizer que não se tem fé. Entendeu?
- Ah… Mas da última vez que o tio Mauro teve aqui em casa, eu lembro dele falando que o pai agiu de má fé. Então o pai não é ateu não, mãe! Ele tem fé, só que às vezes a fé dele não é boa.
- Não é isso …
- E eu, mãe? Eu sou ateu?
- Não, querido. Você não é ateu.
- E o que que é fé mesmo?
- Fé é quando a gente acredita em alguma coisa.
- Ah! Tipo quando você acredita em mim quando eu digo que já escovei os dentes?
- É. Tipo quando eu acredito em você quando diz que já escovou os dentes. Mas agora vai tirar essa roupa suada que a janta sai daqui a pouco.
- Mas por que que eu não sou ateu?
- Porque você tem fé, meu amor.
- Como assim?
- A mãe não te ensinou a rezar antes de dormir e agradecer por todos aqueles que nós amamos?
- Uhum.
- Então!
- Então eu não sou ateu porque eu rezo pro Pai do Céu?
- É. Agora vai!
- Tá bom.
- Esse guri, com 7 anos de idade, me vem com cada uma que só vendo.
- Mas ô, mãe! Eu não entendi direito uma coisa.
- O quê?
- E Deus?
- O que tem Deus?
- Deus é ateu?
- Claro que não. Como Deus vai ser ateu se ele é nosso Pai?
- Mas mãe, então pra quem é que ele reza antes de dormir?
Eis a questão!
Andrey S. Brugger
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
O skank não acertou dessa vez...
Dizer que durante esse tempo todo conseguia ver mesmo que só o brilho fraco daquela tal luz no final do túnel (e imaginar que não seria um trem), seria uma mentira. Eu reconhecia o exagero do momento, das crises e dos "nunca mais", mas não via outro ângulo para a felicidade que não fosse aquele.
Até porque era realmente sensacional a cena vista daquele cume alto que eu havia criado. Com um pouco de esperança e zero amor próprio, cria-se de tudo.
No meu caso, montanhas de gelo que derretem com o passar dos meses. Até que eu sinta os dois pés tocando o chão.
O chão que é tão banal e que todos falam com tanto orgulho: "Enfim, fixei meus pés no chão!" Pois que grande bosta é pisar aqui. Eu prefiro as brasas, ou o gelo que seja.
Doeu demais chegar até esse fim da linha. E por mais que eu já respire normalmente e a maioria dos nós na garganta já tenham se desamarrado, é estranha a imagem do que vejo. Eu estou me adaptando (ou seguindo em frente mesmo, sem balela)! O coração anda batendo no mesmo ritmo há dias. E talvez eu precise mudar meu nome. É atípico demais não me ver lutando, rindo sozinho ou pensando (nostalgicamente, quase choroso) pelos cantos. O tempo simplesmente passa. O passado já não incomoda mais e nem o futuro causa dor no estômago. Não confundo nomes. Não deixo de comprar meu lanche preferido, para comprar o outro que agrada. Todos os compromissos na agenda se referem apenas a mim. Eu puxo apenas a metade da colcha todos os dias e só tenho comprado cordões para mim, e não tenho visitado há tempos as barraquinhas do Parque Halfeld em busca de brincos de estrelas. Está ok, ainda lembro os traços do rosto. Contudo, agora eu preciso de concentração para lembrar aquele teu cheiro. Não corro mais o risco de te ligar enganado, porque de fato esqueci o teu número.
Eu estou longe de ser quem eu sempre fui. Em um momento lúcido, imune dos meus grandes dramas. Vivendo paixões regradas e relações aparentemente saudáveis. Os beijos que ardem são presentes mas não há brigas que ferem.
Eu estou longe de ser o que sempre fui e muitos amigos sabem o quanto é estranho me ver sendo envolvido por essa nova identidade tão comedida. É algo natural, eu sei. E que esses "muitos" me previniram: chegaria. Eu só precisava respeitar o meu tempo. Eu respeitei, então, o tempo, sem querer. A maior e mais resistente de todas as cicatrizes parece agora estar fechada. Estou tão estranho que nem ao menos sei o que sinto me sentindo assim. Assim normal.
Eu estou longe de ser o que sempre fui. No entanto ainda percebe-se a permanência dos tradicionais dilemas. Logo, nem toda essência foi perdida.
Em segredo, então, eu agradeço.
E recado pro Marcelo Camelo: quando vier a Juiz de Fora, novamente, você pode tocar “Morena” que eu vou cantar, nostálgico claro, porém feliz.
E recado pro Skank: vocês erraram, na maior parte, dessa vez. Eu ainda penso nela, contudo não mais tanto assim. E a porta já não está aberta.
Andrey S. Brugger
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Conversa de botas (com)batidas!
- alô?
- alô, quem é?
- Um cara não muito legal, mas quer sair com você hoje à noite, está disponível?
- Disponível é apenas uma questão de estar à vontade pra fazer coisas simples com as melhores pessoas. Estou, sim.
- E acredito realmente que você seja um cara muito, muito legal e muito querido, ao menos por mim.
- Sendo assim, 20h30, alameda? Não tenho dinheiro, mas tenho paciência e um gosto por estar em sua companhia.
- Se já não estou lá, olhe no seu bolso, se não encontrar nada, então apague as luzes, e se conseguir enxergar um pequeno feixe de luz colorido, é porque eu estarei.
- No bolso, não sei. É perigoso, ainda que eu torça por isso. Mas no coração, lá não tenho que procurar. Você ocupa todo o espaço.
- Idem, idem.
- me encontra?
- com certeza.
- porque eu vivo querendo as pessoas erradas?
- porque a certa você já encontrou, e talvez não saiba.Você deveria acreditar em mendingos bebados que fazem previsões. Haha
- Tudo sempre foi apenas uma questão de tempo e espaço. Por quê? Porque eles existem. Não há coisas como "era pra ser". Nada nunca foi pra ser. E eu tento ao máximo agradar a meu pequeno coração. Sem grandes sucessos, mas eu tento.
- Você teve sucesso nesse último enlace. ' Dar certo' tem a ver com período, não com eternidade. Felicidade é momento, é um sorriso, um cinema mudo, um sorvete, um segundo, um. Antes de agradar ao coração, agrade a cabeça.
- Nunca, jamais irei aprender... Eu tive, na verdade, pouco sucesso. Muitas foram as brigas, muitos desentendimentos desnecessários, muita gente no meio, eu, ele. Mas nunca acreditarei que tenha sido essa, a pessoa certa. Seria injustiça comigo mesma. Preciso fazer mais coisas que levem a sorrisos, a sorvetes, à pequenas felicidades momentâneas.
- Faremos mais coisas que levem a sorrisos, a sorvetes, à pequenas felicidades momentâneas., conte comigo. E eu espero que você encontre sua fábrica de sorvetes. Seja o dono o luiz, eu, ou qualquer outro cidadão. Desejo, realmente, que você tenha seu romance ideal.
- (L)
- Eu queria enlouquecer, talvez seja essa a minha chance; talvez meu romance ideal; ainda que fique só no mundo das idéias. Sei que não sou tão feliz há...há....anos(?). Você merece o universo.
- E o universo dá voltas, o sol iluminando cada vez um pontinho diferente. Quem sabe a tal luz colorida não esteja para te iluminar a qualquer momento? Pode demorar anos, meses, semanas, dias, segundos. Mas haverá um momento. Se você souber como cuidar muito bem dessa amizade. Sem grandes ou pequenas faltas, sem isso ou aquilo. Apenas um fazendo o que puder pelo outro.
- Por isso que venero o sol. E amo nossa amizade. ;D
- Amém a isso, cuidemos dela, é nosso pequeno vaga-lume preso dentro de uma pequena caixa com furinhos, e a vida dele custa muito caro, ou muito pouco. Quem sabe?
- Muito caro, raridade custa caro. Mas já temos muitos sorrisos na conta corrente. Ou, ao menos, na conta contente.
- Essa expressão conta contente me fez lembrar de propaganda de pasta de dente. o.O
E a conversa poderia ser minha, sua, de qualquer pessoa. Mas é nossa, mentira, é conversa de dois corações. Sendo assim, deponho que ando feliz.
"Eu preciso muito muito de você, eu quero muito, muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando; você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor, você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone, basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio; juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro.Mas eu preciso muito, muito de você." (Caio Fernando Abreu)
ps: Tha, volta! Saudades, companheira!
Andrey S. Brugger
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
" - Feito pra mim, bom pra você"
Certamente é por isso que gosto da frase do Rodrigo Amarante, (ex) Los Hermanos, que diz em ‘ Cheir Antoine” : “ Feito para mim, bom pra você”. Exatamente isso.
Tenho 21 anos de sonho, sangue, e América do Sul; já que ousei citar o poeta, devo complementar dizendo que deve ser por força desse destino que o tango argentino me vai bem melhor que o blues. Ainda que por ser brasileiro, eu goste da linda cadência do samba. Mas vou no forró, no sertanejo, samba, funk, rock, apresentação da Orquestra Sinfônica do Pró-Música Juiz de Fora, e por ai vai. Gosto de música. Música entendida, aqui, como seqüências de som que agradem aos meus ouvidos.
Tenho amigos em todos os cantos, guetos, facções, grupos, etnias, classes, cursos, tipos de faculdade e afins. Tenho os amigos que me ajudam a ser quem sou, e também os que fazem com que eu me lembre quem eu sou. De algum jeito isso ajuda com que eu sempre tente ver todos os lados e pontos de uma situação.
Considero-me bem esclarecido, e de uns dois anos para cá mais adulto, maduro; ainda que o bom-humor moleque ajuda a deixar mais leves os fatos – quando isso é possível.
Como já fora dito, curso Direito na Universidade Federal de Juiz de Fora, atualmente estou no sexto de dez períodos. Amo o curso, amo o Direito, e acredito que o jeito mais concreto de realizar o sonho de infância: ser super-herói e buscar a justiça.
De resto, o tempo há de mostrar quem eu sou.
"Ele gostava tanto dessas palavras que começam com “in” - invisível,inviolável, incompreensível -, que querem dizer o contrário do que deveriam. Ele próprio era inteiro o oposto do que deveria ser." (Caio Fernando Abreu)
