segunda-feira, 29 de junho de 2009

Presente de um beija-flor



- Beija-flor, que trouxe meu amor, voou e foi embora...

Dentro do ônibus completamente lotado, um rapaz cantava. Cantava alto, parecendo que o ônibus era o banheiro da própria casa. Também batia no caderno, como uma percussão improvisada. Deveria ter seus vinte e cinco anos e possuía uma aparência comum, nada que acusasse uma provável loucura.

- Olha só como é lindo meu amor, estou feliz agora...

As pessoas olhavam. Alguns expressavam séria reprovação, outros ficavam rindo e ainda havia uns imperturbáveis. Eu ficava tentando imaginar o que levaria alguém a cantar num ônibus cheio. Seria um louco? Revoltado? Desiludido? Apaixonado? Sem noção?

- Fim de ano, vou embora de ‘Juiz de Fora’, que é pra eu ver o mar...Mas diz pra mãe lá pro final de fevereiro é que eu vou voltar...

Não dava sinais de desistência, nem reparava nos olhares de quem não queria ouvi-lo. Só continuava seu show sem perceber sua platéia furiosa ou debochada. Eu não estava muito incomodado com a voz, que por sinal era um tanto desafinada, e sim pelo fato de não conseguir ser tão corajoso ou louco, seja lá o que for.

- Agradeço por poder cantar, e ver você ouvir...ééé...

Depois de tanto refletir, decidi não ficar tentando explicar mais nada. Na entrada do ônibus havia alguns dizeres como: “Não fale com o motorista”, “Não fume” e “Não ultrapasse o limite de pessoas”, no entanto não havia nenhum aviso escrito: “Não cante”. E, apesar de alguns ficaram de cara feia, ninguém pediu para o Cidadão parar com o karaokê.

- E tentar entender essa mensagem, que eu quero transmitir...

Até simpatizei pelo ato no fim das contas. Ele continuava cantando e apareceu mais uma, duas, três vozes em coro. Até que o ônibus inteiro estava como um grande ônibus escolar. Os rostos se desanuviaram, as expressões se abriram e todos cantavam felizes. Eu também cantei, é claro. Louco, agora, era quem estava calado.

- Estou feliz agora...

sábado, 27 de junho de 2009

Vem comigo, no caminho eu te explico!

"Do you hope to make her see, you fool?"

( Hello, I Love You - The Doors)


Imediatista. Acho que é a melhor palavra. Já tentei de tudo pra mudar. Até mantras e ioga, mas não tem jeito. Eu quero pra ontem. Esperar é algo que me corrói os nervos. Pra que deixar pra amanhã se dá pra ser feito hoje? (Isso não é extensivo a estudar Penal). Não gosto de nada feito em pedaços, eu me delicio é com a coisa pronta. Tem tanta ânsia aqui dentro. Tanto querer esparramado...Tenho pressa de viver!


" Vem comigo; no caminho, eu explico!"



quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Palhaço pena...


Obrigado à Fernandinha que, lá de Floripa, escreveu para esse 'doce palhaço trôpego" tão emocionantes palavras!

Caótico tal qual o mote que inventa
Tragado por delírios voluntários
Ele dança e canta, doce palhaço trôpego
Chora por muito rir, percebeu-se desesperado
Ovacionado e envaidecido por aplausos imaginados

Ritmado, pois, segue bailando ao passo da sombra
Mantém os olhos abertos mirando algo circunscrito
Nas faces que lhe ignoram
Pobres doentes sem remédio
Ele sente muito medo por não ser mais um enfermo

Mas ele cambaleia com seu sorriso tolo
Sua existência agora diluída
Em meio às ilusões instantâneas
Já nem sente os pés feridos, apenas o gosto de bílis
Enquanto ele roda, grita, gesticula, sonha, sangra e é feliz

Eles o apontam e dizem nos ouvidos:
“Os olhos do cavalheiro estão perdidos”
Porém ele não escuta mais ninguém
Além do próprio choro bobo
E das vozes em sua cabeça ecoando:
Tu és feliz, muito feliz
Tu és feliz, muito feliz
Muito feliz.


"O palhaço pena, quando cai o pano e o pano cai.
Um sorriso por ingresso, falta assunto, falta acesso"

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ei, você aí...vem cá nadar!




Saudade do agora, que vejo escorrer entre meus dedos, que mal acabei de escrever e já virou lembrança.
Mesmo as incertas, de claridades foscas e sombras ligeiras, me aquecem a alma.
Saudade que acentua a falta de alguém que insisto fingir que não vejo.
Que é como brasa incandescente e eterna, que surge ao fim de um fumegante rastro, clareando de laranja o que já foi um fogo chamado presença de amor, da over, da libido, da amizade colorida, da companhia para devaneios; presença-ausência que me vem da luz piscando no MSN.
Saudade assim não é sentimento abstrato.
Saudade bem sentida é palpável, traz muito mais que os lampejos das memórias, pode ser aspirada, é térmica.
E, nessas horas, a gente sente saudade até do que nunca possuiu, de ruelas entortadas, de fogão de lenha, de bonde, de serenatas, de show particular de leoni enquanto a gente discute sobre como todo mundo gosta de complicar.

Ah, Deus ! Obrigado pela saudade que ainda posso dar um jeito, aquela das pessoas que estão por aí, que ainda fazem parte de minha vida, e que por tanta correria acabo tolamente deixando de abraçar...

" Sinta-se feliz, porque no mundo tem alguém que diz que muito te ama, que tanto te ama, que muito muito muito, que tanto te ama"


sábado, 20 de junho de 2009

Um dia...




"
Mude.
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade."


Um dia te encontro ao cruzar uma rua qualquer, ao sentar à mesa de um bar ou até quem sabe simplesmente entrar em uma sala qualquer em meio a mais um dia fatídico de uma semana sem importância. Mesmo que nossos olhares se cruzem, nossas idéias se pareçam e que até possamos viver juntos, ainda sim teremos infinitas diferenças. Talvez tu te encaixes naquelas expectativas que criei e que eu também me encaixe nas tuas, entretanto, esse não é o objetivo de tudo.

Para conviver contigo preciso te respeitar, superar, aprender e precisas do mesmo para conviver comigo. Nem sempre isso é possível e acabamos brigando, criando distância e até desaparecendo. Talvez só os fortes sobrevivam. Somos singularidades em busca de sintonia ou algo que nos permita algum tipo de união. Um encontro na estrada da vida nos permite tentar concretizar a união e, se tudo der certo, ela ocorrerá.

Se tu não sabes conviver comigo apesar de meus defeitos e tentativas de acerto, não há nada a fazer. Se também não sei conviver contigo apesar de tudo isso, sigo meu caminho independente do teu. Forçar nem sempre é a melhor opção e nem sempre afastar é o mais sensato. Não sei conviver com certas capacidades e sei que também tenho algumas que tu não irá suportar. Tantos e TANTAS já o fizeram...

A oportunidade de tentar é o que faz do caminho uma fonte de conhecimento. Eu tento, tu tentas, nós tentamos... se conseguirmos, ótimo. Se não, é uma pena. Só não vou me esconder atrás das vontades dos outros e deixar com que minha imagem se apague por caprichos de pessoas que não se reconhecem.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Supremo Tribunal Federal: gente legal, inteligente e descontraída!




Está certo, eu não me surpreendo com quase nenhuma sentença ou acórdão dos nossos cultos magistrados julgadores.

Mas, hoje estou emputecidamente indignado.

O nosso querido STF decidiu pelo fim da exigência de diploma no exercício da profissão de jornalismo. Não que eu ache que isso faça muita diferença em termos acadêmicos: a plantação da FACOM vai continuar, a empresa júnior continuará prometendo o jornal para toda a federal, "os preços vão subir, os políticos vão saracutiar, você também vai envelhecer. E ai você vai fantasiar que quando era mais novo os preços eram razoáveis, os políticos eram honestos, e que as crianças respeitavam os mais velhos", além de se lembrar daquela distribuição gratuita de jornais na Universidade Federal - sem ser em campanha de DCE -, "mas no filtro solar, acredite!". Prometo, acabaram as piadas (por hora!).

Uma das passagens, nos votos, foi: “Nesse campo, a salvaguarda das salvaguardas da sociedade é não restringir nada. Quem quiser se profissionalizar como jornalista é livre para fazê-lo, porém esses profissionais não exaurem a atividade jornalística. Ela se disponibiliza para os vocacionados, para os que têm intimidade com a palavra", afirmou o ministro Ayres Britto ao acompanhar a decisão do relator.

Explicando: Jornalista não seria apenas a Fátima Bernardes ou o Zeca Camargo ou o Boris Casoy ou o Mauro Naves ou o Galvão Bueno ou o Zé Simão ou a Patrícia Poeta (ai ai...s2) ou qualquer um desses que você assiste na sua televisão. Afinal, quem aparece na mídia e tem o 'dom da palavra" pode ser jornalista. No fim das contas, se tu sabe falar...seja apresentador do SuperPop você também! (Se a Luciana Gimenez pode, você DEVE!). E a culpa é nossa por dar ibope a esses seres que tem o dom da palavra.

Esse conceito de "não censurar" é relativo. Ora, uma coisa é ter direito de livre expressão, livre informação e todo esse IMPORTANTE aprendizado legado em relação ao período da Ditadura Militar; outro é colocar a Luciana Gimenez no mesmo páreo do William Bonner, colocar um pastor de igreja no mesmo nível do José Simão. Assim, ambos têm seus dons, mas o José Simão ESTUDOU pra fazer isso, já o pastor da igreja também...ECONOMIA! ;x .

Isso me faz traçar uma linha entre pedidos. O pedido dos Bacharéis em Direito para o fim do exame da OAB já é bem velho , mas o argumento contrário é no sentido de que profissões que lidam com a liberdade e com a vida do ser humano devem ter um tratamento diferenciado (caso da Comunicação, da imprensa, do jornalismo SÉRIO. Vincular informação é um ato de suma importância em uma comunidade plural, democrática). Bobbio que o diga!

Ou seja, você entra na faculdade com o conceito de fazer justiça. Perde noites lendo doutrinas, leis, tratados, mergulha em conceitos que te fazem querer ajudar o próximo e noutros que te fazem sentir nojo de toda espécie humana.

E no final? Precisa passar por uma prova bem pior que a maioria dos concursos públicos existentes. Para melhorar a qualidade dos profissionais?
NÃO!
Iso é protecionismo em relação aos profissionais que já estão no mercado há mais tempo e não querem largar o osso. Muito menos dividi-lo. Muito embora eu acredite que a prova da OAB sirva para filtro, defendo apenas o BOM SENSO na elaboração da prova.

E o que vocês me falam dos médicos? Tão doutores quanto os advogados. (Devido a LEI DO IMPÉRIO DE 11 DE AGOSTO DE 1827 que ainda está em vigência.)

E a bronca dos publicitários na valorização dos seus trabalhos?
Eu até mexo no Photoshop, nem por isso abri uma agência.

Enfim, é uma faca com muitos legumes.

Competência não se compra com diploma, embora seja uma boa garantia.


Agora é a vez dos jornalistas.
Por um lado, compro a briga.

Do outro, quero meu espaço em algum veículo da imprensa. Espaço que não foi concedido (com ou sem a desculpa) porque eu não tinha o diploma de jornalista. Mesmo ganhando elogios sobre minha intimidade com as palavras hahaha (modéstia muito²² a parte).
Quantos legumes nesta faca.
Se está tudo liberado mesmo, quero meu direito de habeas corpus, habeas data e habeas “Escritus Infinitus”.

Quem possua intimidade com as leis, gosta da pressão dos prazos e hermenêutica: Vá em frente. Isto não exaure a atividade do jurista.
Quem tem intimidade com sangue, tripas... Curte o Doutor House e ama uma Autopsia...
Vá em frente. Isto não exaure a atividade médica.

Blá blá blá...

Vou fundar uma nova Igreja.
Literalmente ganho mais com isso.

E se me der 500 reais, eu compro seu diploma velho, faço uma fogueira de São João.
Se me der 1000 reais, prometo que se, e somente se, eu chegar a presidente do STF TENTO mudar essa jurisprudência.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pacote Completo

Eu podia ser um misterio e viver cercado de historias. Mas eu to falando de mim, essa pessoa incerta que precisa dessa realidade, destes devaneios, que precisa se expressar tentando conservar a medida certa de misterio (Trata-se essencialmente das legendas)(certa para quem? Dirao alguns amigos meus). Nao consigo muitas vezes, e verdade. Meus proprios olhos acabam sendo, muitas das vezes, meus maiores delatores.

Nao reclamo de ser o que sou. Melhor pra mim, nao tao bom para voce. Mas ja fui insegura quanto ao que sou, ou ao que iria me tornar. Foi minha parte infanto-juvenil, que foi muito fragil, ingenua. Minha primeira experiencia com a retorica, ali, cruel, nazista, no meu ponto fraco. Bem aplicada, mestre.

Bom, nao quero escrever nada nostalgico. So quero aplicar essa minha fase em outras pessoas. Pois bem, quem nunca foi inseguro? Por mais que voce se ache o cem-por-cento-seguro-das-coisas, voce sozinho com a sua consciencia sabe que ali, naquele momento, voce fraquejou, bateu o medo; entao, junte-se ao time, nao ha porque ter vergonha.

Aos inseguros: quem nunca achou alguem que te passasse a tal seguranca? Alguem que te desse a mao e ainda elevasse seu ego. Alguem que fosse cabeca e coracao aos seus olhos. Todos nos nao? Achamos sempre ser este, o primeiro, o tal pacote completo para nossas vidas.

Entao vem as ondas da vida, deste mar bravio, e nos ricocheteiam sem parar, testam nossa rigidez, nossa paciencia, nossa subserviencia, nosso desespero. Descobrimos entao, com muito desgosto que o que nos sustenta, nosso pacote completo, e um monte de areia. Menos forte que nos, menos rigido, mais facil de ser destruido. Nao, nao era este nosso pacote completo.

Acontece que uma vez mergulhados neste infinito de aguas claras que apelidamos de vida, nao conseguimos nos sentir alheios para buscar outros pacotes completos. Estes agora, estao tao mergulhados quanto nos, e por meio das mares comandadas pela lua, vem ao nosso encontro. Serao de verdade pacotes completos? Esperemos as proximas tempestades.

“O incerto e o perfeito, tudo se completa de algum jeito.”


p.s.: texto meio sem pe, sem cabeca, inseguro, incerto.