“Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela Não pode ser, diz-lhe numa prece Que ela regresse, porque eu não posso Mais sofrer. Chega de saudade a realidade É que sem ela não há paz, não há beleza É só tristeza e a melancolia Que não sai de mim, não sai de mim, não sai” Tom Jobim
Não adianta mais me segurar, chorar, espernear, tentar ser quem não sou. Para se mudar têm de se conhecer. Concordo. Se conhecer dói. Dói, muito. É necessário? Depende, pra mim foi. Precisa de paciência. Precisa. Não só sua como de quem convive com você. Passa. Sim, passa. Rápido ou devagar, é também muito pessoal, além de depender do ponto de vista.
A face Caliban é importante. Mas, essência, chega de saudade, volta, vem viver outra vez ao meu lado.
Viver de ondas, de altos baixos, de marés, de lua, de inquietude e mansidão. Viver no mundo, ser do mundo. Faz bem, acredite.
Estive pensando: Nascemos sós, nós morremos sós. Essencialmente, não passamos todos de feitos e desfeitos da solidão, partilhada ou não, será? As pessoas ficam tão angustiadas com elas mesmas, com suas manias, suas loucuras, não é da solidão que têm medo, elas têm medo delas mesmas. E é extremamente admirável, e de certa forma espantoso por ser quase inatingível, o quanto você ama isso. Ao invés de ignorar tuas falhas, as sensações desagradáveis, os sentimentos perturbadores, que vivem obstruindo, e até mesmo postergando, tuas vontades, teus sonhos; se valendo das verdades convenientemente inventadas que te ensinaram, e essas, sim, você faz questão de desprezar, você aceita a tua condição solitária sendo inteiramente “responsável pelo que tu és”. E você não tem medo da tua insanidade, do animal que tens em ti e faz questão de alimentar, você deixa viver livre e feliz, na maior parte das vezes; uma vez que aprendeu que infelicidade é questão de prefixo e força de vontade.
Enquanto os outros, tristemente, se trancafiam nas próprias jaulas procurando desesperadamente esquecer que estão ali, quem sabe por não terem escolha mais sensata, e fácil, senão a resignação, Você se assume e não concebe a vida partilhada com quem não consegue fazer o mesmo, você tem me ensinado o valor da parceria. Quiçá, seja por você ser grande demais que você se baste, tens discernimento pra distinguir quando as pessoas estão se distraindo umas com as outras, só para evitarem ficar sós, e quando estão dividindo suas solidões; ai você vira pra mim com aquele olhar e a gente cantarola juntos: “ Os opostos se distraem, os dispostos se atraem”. Quanto ao meu medo, meu medo do futuro, tento matar refazendo o meu presente. Mas tenho que te confessar, com orgulho ferido, que o estranhamento perante ti, te faz outra vez novo e surpreendente. E Deus sabe o quanto isso me impulsiona, do mesmo modo que Deus impulsiona as pessoas de expressões tristes, cansadas demais para quererem viver suas vidas, a se por de pé quando vem um novo dia. Mas você permanece inviolável, ao mesmo tempo em que brinco de chegar a ti, lembro que a sua presença tem trazido qualquer coisa de revolucionário, animador, auto-conhecedor e senhor de si mesmo. Você tem me trazido perspectivas; e o meu impulso, sem destino certo, se resume a palavras.
Um abraço do seu parceiro,
Antigo Eu.
" Ah, se o que eu sou é também o que eu escolhi ser,
aceito a condição"
* Adaptado de um texto que recebi via email, de autoria desconhecida.
"Não há uma fatalidade exterior. Mas existe uma fatalidade interior: há sempre um minuto em que nos descobrimos vulneráveis; então, os erros atraem-nos como uma vertigem." O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
Como posso agora te culpar? Culpar o mundo, o “lá fora” é muito fácil. Difícil é aceitar que a situação de agora fui eu quem causou. Ninguém pode ser culpado pelas noites mal ou não dormidas, pelas lágrimas que são tão insistentes, pelo modo anti-social estar, ultimamente, ligado 24hs/dia.
Você não tem culpa do meu mau-humor, das minhas tiradas afiadas, do meu “gelo”. As carinhas no MSN são fuga, simples fuga. Não estou pra conversa. Não quero ouvir coisas boas de mim, nem mais coisas más. Por que ainda tento me socializar é uma pergunta que me faço diariamente.
Olha, não se preocupa. “Me deixa, que hoje eu to de bobeira”. Posso não ficar bem o tempo todo, mas passa. Não, não me pede explicações, já não posso te dar mais. Tudo bem, concordo que eu te contava tudo, que você me lia até em pensamento. Mas é hora de eu montar os meus valores, sei lá. Nada explica, nem Freud, não tenta. Não, eu não deixei de gostar de você. Não, ainda sou sua amiga! Pára, não estou chateada com você, nem nada. Acredite em mim. Sou eu ainda... Juro! Só que numa face mais Caliban, espera que a Ariel já volta!
- Eu entendo porque todos gostam dela e não olham pra mim. Ela é linda, fazer o que... - Ela é mesmo,mas voce também é. - Não precisa dizer isso pra me fazer sentir melhor. Sério, eu vou ficar bem. - Escuta, você é inteligente, divertida, simpática e bonita. Bem mais legal que essas garotas fúteis por aí. Você só precisa de uma chance, de um piscar de olhos, de um olhar mais demorado. Aí pronto, todo mundo concorda: você é linda, e é pelo conjunto da obra.
Escrito pela Vanessa em um de seus monólogos, mas poderia ser conversa nossa.
E mesmo assim, eu queria te perguntar, se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar, se tem espaço de sobra no seu coração. Quer levar minha bagagem ou não? [...] E mesmo assim, queria te contar que eu tenho aqui comigo alguma coisa pra te dar.Tem espaço de sobra no meu coração. Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão". [Tiê - Dois]
“Quem acreditou No amor, no sorriso e na flor Então sonhou, sonhou E perdeu a paz O amor, o sorriso e a flor Se transformam depressa demais Quem no coração Abrigou a tristeza de ver Tudo isso se perder E na solidão Procurou o caminho e seguiu Já descrente de um dia feliz Quem chorou, chorou E tanto que o seu pranto já secou Quem depois voltou Ao amor, ao sorriso e à flor Então tudo encontrou Pois a própria dor Revelou o caminho do amor E a tristeza acabou...”
Em primeiro lugar, por ter firmado comigo mesmo o compromisso moral de levar a sério o instituto do namoro. Dessa forma, não vou estar com uma cidadã pelo simples, embora devido, sorriso no rosto dos meus amigos; ou ainda pela certeza da companhia nas mazelas de um sábado à noite quando Juiz de Fora se esquece que é uma cidade que possui uma grande massa de universitários; sei lá, me viro bem do meu jeito.
Em segundo lugar, conheci uma pessoa bastante legal, o Andrey. Sério, desde 2004 eu conhecia um cidadão de mesmo nome, endereço, registro civil mas que dependia muito de “ter alguém para gostar”, e se esquecia que ele já possuía: ele próprio! Não, relaxem...nada da história do amor próprio, falo de amadurecimento e auto-conhecimento. Faz bem, principalmente quando você percebe que se há alguma frase que, em qualquer situação, faz sentido é “TUDO PASSA”. E passa, e respira, e ultrapassa aquela questão de “reportar tudo o que você faz para alguém”. Você não reporta, não se importa. E se quiser, até fecha a porta e coloca o som alto e está valendo.
Em terceiro lugar, e talvez mais importante, o fato de que jamais vou encarar “namoro” como casamento, cada momento tem sua peculiaridade e grau de envolvimento; já pensei bastante sobre isso, não entendo muito a lógica de ‘namoro, agora adeus amigos solteiros “. Acho que a questão da confiança é obrigatória em todos os casos.
Confesso, aos amigos, que ando descrente de ‘amor incondicional”, ando preferindo a parceria, a conversa. Atração é, logicamente, importante; mas será essencial como diz o mestre Vinicius? Também não haverá, aqui e agora, espaço para aquela velha história de que beleza acaba e tal. É simplesmente raciocinar sobre a ótica da questão de princípio. É não querer mais ser aquele protótipo globalmente feito de que tenho que ser um juiz federal com uma loira burra ao lado; prefiro a advocacia diária com uma cidadã que vai ser suporte e ao mesmo tempo desafio, que vai entender a minha retórica e me dar nó quanto ao discurso; admiração é o remédio para os relacionamentos, está ai o resumo da tese.
Em conversa que tive nesse fim de semana com a minha parceira de blog, falávamos disso. Admiração e possibilidades do Nando Reis ter acertado novamente ao dizer que “o amor pode estar do seu lado”. Será? E ai fico eu procurando felicidade tal qual aquele avozinho do Mário Quintana, que busca os óculos, sem saber que os tem bem na ponta do nariz?! O argumento a enfrentar é a resposta à pergunta: “amizade colorida funciona?”. Depende, como tudo no Direito. Prós e contras, como tudo na vida. Confiança, respeito, admiração já se têm, vide a relação primogênita. E se o relacionamento não der certo? Acho que aí vem a principal questão: Amizade colorida demanda MATURIDADE. E maturidade somada à confiança original traz a abençoada possibilidade do “ir devagar”, buscar a sintonia e acerto no “tempo” da relação.
Devaneios de último dia de férias. “Mas tudo que acontece na vida tem o momento, o destino! Viver é uma arte, um ofício, só que precisa ter cuidado; para perceber que olhar só pra dentro é o maior desperdício. Porque o amor pode estar do seu lado!”.