Vou de conto, crônica, narrativa. Sei lá.
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Ela não dorme. Mexe, remexe, se vira. Tenta sonhar, tenta relaxar. Fez de tudo, colocou música calma, tomou leite quente. Pensa nele. Pensa nela. Não conclui. Isso a atormenta, paralisa. Divaga. Acha que dorme e acorda. Acha que o tem e desperta. Chora. Ri. Não entende, acha que entende e descobre que está errada. Culpa-o, a culpa. Culpa a culpa. Desnorteia-se. Perde o sentido. Descobre que ama. Reencontra o sentido. Quer dormir, quer tê-lo. Quer. Não consegue. Remói o passado. Constrói um futuro que não vai condizer. Chora de novo. Quer vê-lo secar suas lágrimas com beijos quentes numa noite fria. O coração bate forte. As horas passam. O sentimento não muda. Muda a compreensão que ela mesma faz. Decide abandoná-lo, sente-se fraca. Queda na auto-estima. Pensa bem. Busca aquelas “quase” vezes. Recupera o ego. Acha-se superior. Abandona. Sente falta. Volta atrás. Quer dormir, quer fugir. Meu Deus quanto querer. Pede conselhos ao travesseiro. Pede calor às cobertas. Pede tempo ao despertador e ao coração. Adormece. O dilema continua. Acorda. O dilema mantém-se real. Sai de casa. Encontra o mundo. Por ele é absorvido, e as emoções ficam latentes. É assim que acontece, a rotina consome até a esperança de expressá-las.



